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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Poeta convidado - Alfredo Burghi

Fred, que responde, incansável, às minhas perguntas e me faz rir sem nada perguntar. Bem vindo.
AMARELO
Frente à minha casa
(amarela),
frente à casa do vizinho da esquerda
(marrom),
tem, cada um,
um pé de Ipê (Amarelo).
Desde que cheguei
no dia da Independência,
o chão está forrado das folhas (amarelas)
do Ipê (Amarelo).
O tapete se alastra pelas laterais
que adentram o portão da garagem
como se estacionassem sem pedir licença.
Quando vou almoçar,
chego de mansinho para que não voem
e se percam da multidão (amarela).
Estariam as folhas (amarelas) comemorando a Independência?
Não faltam flores verdes para completar o bordão?
Você não acha que o Ipê (Amarelo),
derrubando suas flores (amarelas),
faz um choro de saudades do Pau Brasil?
(Ou seriam lembranças do seu Flamboyant?)
10/09/2008