Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lá dentro

 
Minha alma treme.
Som de corda esticada.
Muito tensa,
faz música,
desafinada.
Balbucia,
sem controle.
E gira,
fora do ritmo.
Tita NY - 22/11/16

Tudo a ver
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Saramago

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Blowing

Enquanto as folhas tremem ao roçar do vento
o ar grita ao balanço dos galhos,
e a noite se esvai, fria e calma,
penso.
Nos desencontros, nos desvarios, nos desatinos e nos confrontos 
do que resta
das verdades
de nós dois.




Tita
NY, 20/11/2016

Tudo a ver
"The answer, my friend, is blowing in the wind"
Bob Dylan


sábado, 10 de janeiro de 2015

carpe diem


Silencia na garganta,
a voz q'inda tem a dizer.
Silencia no gesto
o carinho que aflora.
Silencia no corpo
o desejo que arde.
Num repente,
o incerto.
Carpe diem.

Tudo a ver
No seas loca, filtra tus vinos
y adapta al breve espacio de tu vida
una esperanza larga
Horacio

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Nós


Ainda vivo o carro rodando macio pela noite, 
musica forte,
casos contados nas mil tardes no sofá,
beijos macios e cheios de molejos.
Escuto as palavras e sinto os abraços,
o gosto dos chocolates nas noites vadias.
Então procuro suas costas macias.
Suas mãos me buscam, 
sua boca me amolece,
me entontece,
me tira do mundo.
Sussurros se encontram,
você sorri e se conta meu.
Conto-me sua.
E assim nos sabemos
e nos temos
no sempre melhor que, 
de nós dois,
será.

Tita
para E. 
4/11/2014


sábado, 1 de novembro de 2014

Elo Perdido



Sou rios que deságuam em mar aberto e curvas mal traçadas de caminhos que não chegam ao destino. 
Sou o abandono despido em lençóis amassados de noites de frio sem cobertor e o escolher incerto dos re-começos trôpegos. 
Sou as noites cheias de flores de cores fortes, as feridas feitas de cortes, sou o mel derramado das abelhas sem lar. 
E torno-me o silencio de madrugadas sombrias em que ouço distante meu riso alegre e recolho-me solitária a tecer, incansável, rede que de mim me proteja e que abrigue meu ser solto no ar. 
Sou a lágrima que rola e cresce, me toma e afoga-me em lagos distantes que levam ao fundo e não me deixam voltar. 
Sou o fundo de areia, a sereia que re-surge, o tempo que urge, o gozo incompleto. 
E então me transformo no incerto, no fluido que não se fixa, no abraço sem braços, no aconchego perdido, no elo partido. 
E permaneço, atônita e perdida, no oco da musica a preencher o silencio que se torna duro e ímpar, numa noite sem fim. 
Tita

Tudo a ver
Existem alguns tipos de morte que não se pode obrigar alguém a reviver, um tipo de conexão tão profunda que, quando se rompe, você sente o estalo do elo partido... Frase de Jeff Vandermeer.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fuga

Corro, longo corredor.
Por todos os cantos
teus olhos pedintes me chamam,
brilham no escuro,
me aterrorizam.
Não paro, fujo e mais fujo
Teus braços se multiplicam em busca de mim
corro e me desvencilho.
Pulo dedos,
afasto ombros,
atravesso cotovelos,
fujo das mãos .

Tita
Julho, 2014.
Tudo a ver
"que mania de julgar têm os seres humanos, e como nos desassossegam e nos desconcertam os casos moralmente ambíguos que não permitem situar com precisão a linha de luz e a de sombra"
Rosa Montero em "A Louca da Casa"

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Repentes

Se eu falar demais, 
rir fora de hora, 
Não significar seu sonho, 
perder a fala, 
perder a cor...
Se não for engraçada 
ou inteligente, 
nem culta, 
interessante 
ou preparada...
Se você se irritar 
e ficar louco ...
Se se entristecer
e eu calar, 
nada disser...
Se eu enfeiar
com olheiras 
e cansada...
Se num repente
eu para você 
for nada,
prometa
que me dirá.
Não me deixe 
sem aviso,
Não se vá.

Tita - 01/10/2014

Tudo a ver
Tão abstrata é a ideia do teu ser
que me vem de te olhar, que, ao entreter
os meus olhos nos teus, perco-os de vista
e nada fica em meu olhar, e dista
teu corpo do meu ver tão longemente,
e a ideia do teu ser fica tão rente
ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
sabendo que tu és, que, só por ter-me
consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
a ilusão da sensação, e sonho,
não te vendo, nem vendo, nem sabendo
que te vejo, ou sequer que sou, risonho
do interior crepúsculo tristonho
em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Invólucro



D.arc.y - imagem flickr
Escuto a voz, tão perto mas neste momento tão longe. 
E escuto mais e mais uma vez.
Então gravo a minha e a solto no ar.
Neste momento da vida experimento sentimentos que, 
mesmo se um dia vividos, 
são novos, inesperados e muito fortes.
Nos meus pensamentos guardo o que me dá o sonho 
que me leva em frente.
Amo o invólucro que nos mantém unidos, 
nossos planos que iluminam as possibilidades 
e
as palavras que trocamos em todos os momentos.
Amo o possível que se abre 
e o fato de nos darmos as mãos 
para percorrer o caminho.
Amo o exequível, o superável, 
o atingível, o feliz que sabemos.
Amo a presença que se faz forte, 
segura e reconfortante.
Somos todas as possibilidades 
que agarro em meus braços.
Assim como seguro tua presença, 
sempre,
em mim.

Tita - 29/09/2014
Tudo a ver
A vida era passar o tempo juntos, 
era ter tempo para caminhar juntos de mãos dadas, 
conversando calmamente enquanto viam o sol se pôr.
Nicholas Sparks

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Falta


Sinto sua falta
Saudade 
de me aninhar nos seus braços, 
de escutar suas histórias, 
de ter sua presença carinhosa e doce.
Sinto ainda seus beijos macios 
e seus abraço forte e aconchegante
me segurando firme perto de si.
Saudade 
de sua chegada sempre alegre 
dos passeios, 
dos almoços, 
dos jantares, 
das conversas sem fim.
Sinto sua falta.
Saudade
do seu cuidado comigo, 
da sua vontade de me acariciar
das suas palavras doces 
do seu sussurrar no meu ouvido
do seu fazer-me rir 
em todos os momentos.
Sinto falta
da sua presença enorme
que ocupa meus dias
minhas horas
e meus pensamentos.
Saudade 
de me afogar na fumaça do seu cigarro
de ter pena de você ir embora
de esperar o dia seguinte para de novo
estar com você
ver você
falar com você
escutar você.
Sinto falta
de encontrá-lo todos os dias
e de cada dia ser melhor do que o anterior
e melhor do que o anterior
e melhor ainda do que o anterior
Sinto sua falta.
Sinto sua falta
Sinto sua falta.
Tita - 22/09/2014

Tudo a ver
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luis de Camões

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Dizeres

Quando eu disser, 
se disser,
Direi nos seus ouvidos, 
devagar.
No dia em que disser,
direi.

Talvez em algum momento eu pense em dizer
Mas ache que não devo
Ou talvez pense que direi 
se você disser
E, 
mesmo se você não disser, 
talvez eu diga.

Pode ser que  direi um dia e então, 
nunca direi que não disse.
No dia em que eu disser, 
se disser, 
não será uma frase rouca, 
nem será coisa pouca.

Porém não se iluda pensando que fatalmente direi.
Porque só direi 
se for profundamente sentido
E se para nós dois, 
fizer todo o sentido.
Tita 04/09/2014

Tudo a ver
Entre mim e o meu silêncio
Há gritos de cores estrondosas 
e magias recortadas dos sonhos 
que acontecem naturalmente
José Luis Peixoto em "A criança em ruínas"

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Retalhos de vida



Poderia ir  àquele bar de música, à praia, ao domingo perdido no sol
Dançar, onde danço sozinha ou com quem nem pergunto o nome, dançar por dançar.
Passear pela noite, entrar onde me aprouvesse, naqueles bares estranhos em que gosto de estar, escutar músicas pela noite adentro

Poderia ir ao cinema, depois comer um sanduíche, comentar o filme com amigos
ou música clássica, escutar o piano, o coro, o violino
Sentar-me em uma mesa em um café, caderno na mão,observar as pessoas

Poderia deixar-me ficar, ler um livro, deitar-me no tapete da sala e escutar música bem alto,
folhear antigas recordações e re-chorar o já chorado, re-rir o já rido, re-lembrar o já vivido, o que poderia render lindos textos
nadar e depois estirar-me ao sol escutando conversas esparsas, tomando uma caipirinha

Poderia visitar aquela amiga que, como eu, gosta da noite imprevista, fugir de todos os perigos e ver amanhecer o dia tomando cerveja sentadas na calçada do posto de gasolina
deitar na rede escutando o mar, dormir fora de hora, levantar-me de madrugada e sair pelo mundo naquela cidade pequena onde sempre encontro alguém para conversar
Depois voltar para a cama, dormir de novo, acordar com o sol já alto e re-dormir deitada em uma espreguiçadeira, ao ar livre

Poderia ligar para os amigos, combinar novos programas, chamar pessoas, conhecer novos lugares
descobrir saraus, ir às casas em que há reuniões de novos poetas, escutar o que gosto e o que não gosto nem um pouco, ou apenas observar
passar os fins de semana no campo com minhas irmãs, que correm doces e mansos e cheios de gente a contar coisas, e perguntar e trocar

Poderia visitar amigos que moram distantes, chamar outros para virem à minha casa, 
sentir a delicia de estar com gente com quem nem preciso falar
andar pelas ruas, sentar nos bancos das praças e ver o sol de inverno por entre as árvores,
cozinhar tomando copos de cerveja, musica alta, comer e dormir.

Poderia.

Ou poderia estar aqui onde estou, 
a ter uma colcha de retalhos macia que me cobre e que
a cada dia renasce com um novo retalho que me conta uma nova história,
tornando os dias cheios de imprevistos e de sentimentos.

Neste momento a vida se renova e sabe a flores silvestres, vidros perfumados, fragrâncias ímpares e novos sabores
e é vivendo este momento que apreendo o que vale a vida 
quando vale a pena da vida, ser neste momento, vivida.

Tita - 29/08/2014

Tudo a ver



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cerne

De que manso abandono o coração se veste,
nas  nuvens a vagar, a alma efêmera,
colhendo raios esparsos de sol?
É em águas mansas que flutua o espirito
em busca do naco de si arrancado
na turbulência do mar que no rio desaguou.
Sentindo-lhe a falta no profundo do cerne
sofrendo-lhe a incompletude no espraiar-se infinito
recua diante da vacuidade do quadro
que a mente impensada um dia pintou.
Tita - 25/08/2014

Tudo a ver
Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior?A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. 
Carlos Drummond de Andrade

domingo, 17 de agosto de 2014

Barulho

Mario Howat
O barulho ascendente do que cresce aos poucos
do vento que bole nas folhas
de passos suaves na grama 
de asas que batem levemente
do trotar dos cavalos ao longe
de vozes que se misturam
de outras vidas que dentro de mim ressurgem.
O burburinho da poeira que o vento levanta
o estalo do chicote que gira no ar
a soada de um sino da infância
a cadencia das notas a criar harmonias
o ressoar de palavras que voam.
O sonoro riso a repetir-se em meus pensamentos
a vibração das mãos que tateiam
e mansas e suaves produzem musica
e embriagam dizendo à alma
que se espalhe 
desfaleça e se abandone 
num feixe
fugidio e luminoso.

Tita - 17/8/2014

Tudo a ver
Teve um barulhinho, quer dizer, um rumorzinho do ar que fez "chhhh" bem, bem, devagarinho: era um botão de rosa com um pedacinho de haste quebrada que caía na bancada. No momento em que a tocou, fez "pof", um "pof" do tipo ultra-som, só para ouvidos de morcegos ou para ouvidos humanos quando tudo está muito, muito, muito silencioso.
Muriel Barbery em "A elegância do ouriço"

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

MERGULHO

No tempo que para com o apressar do coração,
na noite que brilha através das frestas da janela,
No sol que entra pelos vidros quadriculados,
Na musica que toca na madrugada de ruas vazias,
Eu mergulho.

Pego as palavras que estremecem o ar,
Os casos contados e os medos acalmados
E no abrir das portas, na troca de ideias
E nas risadas sem fim,
Eu mergulho.

No sussurrar dos lábios que não se afastam,
No aconchego dos abraços que não se soltam,
Nas bandejas com petiscos não tocados,
Nos livros ainda não lidos,
Eu mergulho.

E solto meu corpo
Deixando que me leve a água deste rio
que desaba no mar 
E que no silencio das profundezas
deste carinho enorme,
me explode as entranhas.

Tita - 11/08/2014

Tudo a ver
Tum tum tum tum tum tum tum
Look, if you had one shot, one opportunity,
To seize everything you ever wanted
One moment
Would you capture it or just let it slip?
Eminem

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Letras

Como nada me podia dar, 
deu-me palavras.
Como nada lhe podia dar, 
combinei-as como pude 
e derramei-as sobre o papel em branco,
formando frases que dei a ele,
como se fossem flores.

Tita - 01/08/2014

Tudo a ver
Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou...Transformo-me todo em palavras.
"José Luis Peixoto em Uma Casa na Escuridão"

domingo, 27 de julho de 2014

Isso



Não fosse isso (apenas isso),
Teríamos um encontro certeiro,
Nos perderíamos num sentimento traiçoeiro
Ou seguiríamos,
Cada qual um inteiro,
Sem jamais dividir
O tão falado travesseiro?

Tita - 27/07/2014

Tudo a ver
Nesta vida tão breve
De que nos dão só um gole
Quanto - quão pouco - está
Sob o nosso controle
Emily Dickinson em "Não sou Ninguém"

sábado, 19 de julho de 2014

Verde



Sonhos sem fim, no vasto jardim de flores pálidas.
No verde a força incontida, incomensurável busca do desfecho perfeito,
os lábios soprando desejos nas árvores fletidas.
No espaço extenso, o coração se estilhaça como vidro quebrado,
ao pressentir no silencio o barulho final.

Tita 18/07/2014

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Distante

Onde teus olhos que com musica choravam?
Onde as palavras que, vindas de ti, em nós transbordavam? 
E teu riso de menino, tua falta de jeito, teus olhos azuis e tuas costas curvadas?
Que mar te acolherá, de mim tão distante?

Tita - 16/07/2014


Tudo a ver
Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo"
Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"  - Extremos da paixão.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Escuro



A menina na sala escura
acendeu a luz e desenhou tragédias.
Tomada do espirito da invenção e do drama,
escreveu terrores e suspirou dores que não sentiu.
Fez-se mulher a que, menina, se fazia velha.
A velha que, menina, acendeu a luz. 

Tita - 11/06/2014


Tudo a ver
Quando as luzes se apagam é menos perigoso  
Kurt Cobain

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ha!


Em você me decifro.
Nesse jogar de palavras esparsas,
nesse olhar impensado,
nesse andar de pernas trançadas
e, mais ainda,
nessa lágrima perdida,
nesse gesto sem nexo,
nesse hahaha perdido no tempo.


Tita - 09/06/2014

Tudo a ver

"Irei até onde o ar termina, irei até onde a grande ventania se solta uivando, irei até onde o vácuo faz uma curva, irei aonde meu fôlego me levar."
Clarice Lispector em "A Hora de Estrela"