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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Enigma


Sempre escorregava.
Nos pingos de água, nos pisos lisos e no gelo da neve mas, principalmente,nas palavras.
Passava por elas deslizando; 
Escapavam-lhe inexplicavelmente. 
De algumas conseguia apanhar a primeira ou ultima silaba porém,deixava escapar as do meio. Então, guardava apenas os pedaços e, de posse desses, passava a procurar, incansavelmente, suas partes.
Um dia deu-se conta de que tinha uma silaba nas mãos. Apenas uma.
Sem saber de onde teria vindo procurou encontrar-lhe o sentido.
Escutou-a, mas nada dizia;
encostou-se nela, não havia aconchego; 
passou-a em seu corpo, sem sensações. 
Então soltou-a no ar.
Voou como se tivesse asas. 
Rodopiou, flutuou e fez desenhos contra o céu. 
Depois, caiu-lhe novamente nas mãos.
Até hoje a mantém e procura, em vão, uma forma de decifrá-la.

Tita 29 de janeiro, 2016

Tudo a ver
"Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e apurado
senso da poesia"
Mia Couto em "idades cidades divindades"

sábado, 5 de dezembro de 2015

De noite

Não entendia o porque daquele incessante acender e apagar de velas. Noites foram feitas para se dormir, coisa que não lhe estavam permitindo.
Flashes daquela luz a incomodavam, ainda o cheiro da parafina, o barulho do fósforo riscando o papel áspero.
Impossível dormir.
Levantou-se, encaminhou-se para o clarão.
O saber que havia alguém acordado acalmou aquele que clareava a noite sem parar.
Então, a que se levantara encontrou-se perdida no escuro de breu.
E lá ficou até o clarear do dia, sem saber o porque do acender das velas.
Tita - novembro de 2014 

Tudo a ver
As velas, são extensão da vontade e dos pensamentos daquele que as acendem.
Internet

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Distancia


Tirou a canoa do barranco do rio e colocou-a na água. 
Os gestos firmes e certeiros, o pensamento confuso.
Certezas? Não tinha.
Então sentou-se na tabua que era o banco e pôs-se a remar.
Descendo o rio, quase sumiu no horizonte.
Ela, que pensava ser uma saída breve, percebeu.
Ele, sem perceber, distanciou-se cada vez mais, sem volta.
Tita
Escrito em 17/11/2014

sábado, 30 de maio de 2015

Menino

Eu sei que você é lindo 
Porque um dia vi o menino macio e doce que hoje se esconde.
Por ele, transbordei de carinho e amor e o abracei e pedi que me enlaçasse a cintura.
Quando veio o grande vento, meu menino fugiu e nunca mais se deixou ver.
Que saudade tenho dele e de quando, a brincar, me mordia as orelhas 
e então, 
com sua pele macia, 
se aninhava em mim.

Tita
30/05/2015

Tudo a ver
“De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa, que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…”
Caio Fernando Abreu

sábado, 27 de setembro de 2014

Profusão



Diz que devo escrever sem pensar e que das palavras impensadas, surgirá a base do que deve ser escrito.
Deveria criar a partir das pequenas coisas, um mundo cheio de cores que se misturassem. 
Estão dentro de mim mas não sei colocá-las no de  fora e, quando as de fora trago para mim, são quase sempre as escuras.
Tita - 26/09/2014

Tudo a ver
Através da noite urbana de pedra e seca
o campo entra no meu quarto.
Estende braços verdes com pulseiras de pássaros,
com fivelas de folhas.
Leva um rio à mão.
O céu do campo também entra,
com o seu cesto de jóias acabadas de cortar.
E o mar senta-se ao meu lado,
estende a sua cauda branquíssima no solo.
No silêncio brota uma árvore de música.
Na árvore pendem todas as palavras formosas
que brilham, amadurecem e caem.
Na minha testa, uma caverna onde mora um relâmpago...
Porém, tudo se povoou com asas.
Diz-me: é deveras o campo que vem de tão longe,
ou és tu, são os sonhos que sonhas ao meu lado?
Octavio Paz em "Visitas"

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os gostares


Tinha uma vida de sempre muito a fazer, a conversar, sempre muito que restava para o outro dia e não ficava feito. 
Gostava assim.
Gostava da vida que não se repetia e que sempre a atiçava para algo mais.
Desbravava novas amizades, queria novos assuntos, inventava caminhos desconhecidos.
Ia em frente. Procurava melhorar o ruim mas, constatando o impossível, deixava-o para trás, buscando o feliz para perto de si.
Porém, tinha uma mania. Ah se tinha!
Achava tão difícil achar alguém para si mas quando calhava, lá vinha. 
Mania de gostar.
Então ficava naquele querendo, no gostando, o gostar atiçando, lembrando, cultivando.
Mania danada, concluia.
Mas não desistia porque sabia 
Que sem essa mania,
Passava pela vida e nem vivia.

Tita - 25/08/2014

Tudo a ver
O conceito "real, verdadeiramente existente", nós o tiramos primeiramente desse "nos dizer respeito"; quanto mais somos tocados em nossos interesses, mais acreditamos na "realidade" de uma coisa ou um ser. "Isto existe" significa: eu me sinto existindo no contato com isso.
Nietzsche em Outr'em-mim de Alfredo Naffah Neto.


domingo, 4 de maio de 2014

Sangue



Era com movimentos circulares, suaves e constantes que espalhava a gota de óleo na sola dos pés.
Mais uma gota e movimentos circulares no plexo solar, como lhe haviam indicado. Em seguida naquele ponto da cabeça que é medido com o dedo anular, da ponta do nariz até a testa.
Movimentos circulares.
Circulando.
Como o sangue. 
Podia sentir o sangue em movimento pelas suas veias, podia escutar o barulho da passagem de uma veia para a outra, indo e voltando e indo, sempre em movimentos circulares.
Então tudo se tornava irremediavelmente circular.
Repetições de um mesmo movimento, chamando explosões de vida que estourassem em círculos dentro de si.
Circulares, circulando, ando, ando...ares, ares, sangue...angue...corpo, orpo...

Tita 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Como?

google images

Como serão aqueles beijos e o caminhar daquelas mãos quando em desejo?
Como aqueles olhos quando em busca de respostas para os chegares de seu próprio corpo?
Como será seu movimento quando em busca de união e pertencimento?
E como o olhar e a fala, aquela voz, quando em aconchego e êxtase?
Como?

Tita - 2014

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Palavras em pó


Surgiam com abundancia fagulhas que, desprendendo-se do pensamento, iluminavam folhas de papel. 
Se a mim voltarem não deixarei de pegá-las e prende-las com muito cuidado pois que fagulhas, se as queremos prender, desmancham-se e se transformam em pó.
Não as deixarei fugir. 
São como um dom que preenche, um arrepio enorme que enche o ventre, transforma-se em vento e vomita sensações fortes e cheias de raios. 
Vez por outra um raio mais veloz ultrapassa todas as barreiras e é capaz de transmitir levezas.
Quero agarrar-me a ele e sair em buscar das bolas cheias de palavras que costumavam espalhar-se por todos os cômodos a convidar-me a pegá-las uma a uma, separá-las e deixar que pousassem no papel em lugar certeiro e infalível, ao qual pareciam ter sempre pertencido.
Tita 09/12/2013

Tudo a ver
A cabeça é como uma taça que pode estar cheia ou vazia. Se estiver cheia com seus próprios pensamentos, todas as maravilhas do mundo lhe serão inúteis: derramarão pela borda, como água que se derrama pelas bordas de um copo já cheio. Para se poder ver é preciso parar de pensar.
Rubem Alves em "Retorno e Terno" (campos e cerrados)



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tabuleiro de xadrez



Mexo as peças mas não saio do lugar.
O jogo não se encerra enquanto meu cavalo anda para a frente
e para o lado e a torre volta para traz.
Nunca fui boa nesse jogo, que exige decisão.
Desta vez espero pelo movimento  do outro.
Espero que o cheque mate chegue e me abata,
abstendo-me de pensar.

Tita 28/11/2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Borboletas amarelas


Hoje lembrei-me das borboletas amarelas. Aquelas, que costumavam revoar na minha e na tua janela e batiam levemente as asas nos vidros. 
Você se lembra de que roçavam nossa face quando abríamos as vidraças para que o vento nos revoasse os cabelos, nos fechasse os olhos e nos fizesse sorrir?
Havia as que entravam dentro de casa tornando a sala cheia da luz que o amarelo traz...
Como queríamos que ficassem ali! Estáticos para que não se assustassem, olhávamos silenciosos os seus movimentos.
Houve aquela que pousou na sua cama, ali ficando por um dia e uma noite em que, para que não se fosse, dormimos no chão. Assim que amanheceu o dia eu a vi voar pela janela aberta.
Não, jamais prenderíamos uma das nossas borboletas.
Por isso voltavam e nos traziam a alegria dos que voam e são cobertos de cores.
Quando você se foi, pensei que se tinham ido com você. Depois soube que você pensava estarem comigo.
Hoje sei que não voltaram, nem em rápida visita, para nenhum de nós dois.
Foi a forma que encontraram para protestar por não termos sabido cuidar do sentimento que, de tão grande, nos ultrapassava e chegava até elas.

Tita - 14/03/2013

foto: manucardoso: http://olhares.uol.com.br/borboletas-amarelas-foto1539036.html

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Incomunicável


Na incomunicabilidade em que vivia, chegava a pensar que emudecera.
Dissociava lembranças de palavras pronunciadas em outra época.
Talvez não soubesse mais como se expressar através dos sons...
Deve ser assim uma clausura, pensou. Estava em uma mesmo que fosse sem grades e sem portas.
Começara com um simples recolhimento - são fases, constatou. Logo volto ao burburinho das ruas.
Mas o emparedamento sem paredes continuava, o ostracismo silencioso tornava os pensamentos inaudíveis, o desterro do lá de fora era fato e parecia duradouro.
A fuga havia acontecido, mesmo que não tivesse corrido, ou se escondido, ou ido a lugar algum.
O exílio estava dentro de si mesmo e contra ele era difícil lutar. Sendo assim, calou-se e se deixou ficar.
Tita 17/02/2013

Tudo a ver
Ninguém pode ajudar o humano que deu errado quando o social está errado, e para resolver o de dentro seria necessário corrigir o de fora. E então quem somos nós, tão impotentes e arrogantes?
Caio F. em "A vida gritando nos cantos".

sábado, 5 de janeiro de 2013

Como se fosse hoje




Sempre tão querida a tua presença. 
Sempre tão bom estar com você.
Quando se vai, resta um vazio que aos poucos some, foge, preenchido pelos acontecimentos de cada dia.
Não sei como seria se fossemos diferentes, mas sei que gosto deste estar com você quando estamos.
Quando não estamos é como se há muito não estivéssemos e, mesmo assim, lá no fundo de mim, tua presença permanece.
Não sei se você é o meu amor, o meu amigo, o meu complemento. Mas sei a pessoa importante que, para mim, você é.
Neste eterno não sabermos de nós, quem sabe um dia seremos mais, ou quem sabe um dia nem mais seremos.
Não importa. 
Ao longo dos dias, quando  tua presença fica pálida, distante, é como se deixássemos de ser o que somos quando juntos.
É como se você estivesse perdido para mim, destacado, longe...lembrança de coisa já ida.
E eu me distancio de você, sem contudo te deixar ir porque mesmo assim longe, te penso,
e mesmo destacado, te lembro,
e mesmo perdido, te quero.
Em todos os momentos, em todos os momentos.


Tita - 05/01/2013

sábado, 3 de novembro de 2012

Chamas

foto: Marcus van Dijk

Sento-me na poltrona gostosa, tomo uma cerveja. A musica parou de tocar.
Cenas passando na minha cabeça, um filme. 
Parece tudo tão distante e, num repente, é como se nunca tivesse acontecido.  
Meu olhar fica perdido e ali estou, sem saber se estou no meu lugar. 
Então  me dou de presente tantos lugares e tantas coisas que já vivi e senti e foram tantas e já faz tanto tempo...
Fico a montar essa colcha de retalhos, sofrendo as vezes mas também sendo feliz e até sentindo, em alguns momentos, a plenitude.
Lembro-me de mim mesma dizendo que tenho medo da força com que sinto as coisas tão e tão completamente fortes, não aceitando sentir metades, uma vez que aceito vive-las mas não senti-las. 
E deixo que as metades que vivo se misturem com a metade de todos nós, que vivemos metades mas só queremos sentir o completo.
Porém,o outro lado do que penso, nem penso...

Tita
Vinhedo, 03/11/2012

Tudo a ver
"Veja tudo de vários ângulos e sinta, não sossegue nunca o olho, siga o exemplo do rio que está sempre indo, mesmo parado vai mudando"
Autran Dourado

domingo, 28 de outubro de 2012

Incolor


Nana Caymmi - Resposta ao Tempo

Conversando comigo mesma realizo: não tenho mais argumentos. 
Não conseguirei convencer-me do que deveria nem fazer-me dizer o que poderia.
Então vejo que o tempo passa pela janela enquanto minha vista se perde, fugindo de fixar-se no que seria essencial.
Não serei capaz de aprender, não encontrarei as respostas, não saberei fazer as perguntas.
Permanecerei no eterno par ou impar, bem me quer mal me quer do que imagino e do que realizo, do que crio mentalmente e do que faço, do belo que sonho e do incolor que reproduzo.

Tita 28/10/2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Brisa

Não notou.
Nem mesmo quando o olhar, os gestos
e  o corpo dela tudo expressavam.
Não compreendeu,
porque não poderia compreender o que não havia percebido
e, não compreendendo o que nem havia percebido,
não entendeu o que ela procurou esclarecer.
Palavras não puderam expressar o que deveria ter sido salvo,
nem clarear o que deveria ter sido diferente.
Então nada restou daquela brisa leve e calma
que poderia ter soprado para sempre.


Tita 21/10/2012

foto: Christa Richert

Tudo a ver
Ergo as pernas, tranço os tornozelos em torno do fio, entrelaço as mãos e lá fico, uma eternidade, aterrorizada, morta de medo. Espero. Acalmo. E bicho-preguiça, muito lentamente, com muito esforço, muito tédio, começo a recuperar a força.
Tento me por de pé. Embora nunca acredite, sempre consigo.
E lá vou eu de novo, mais corajosa, mais firme, mas ainda não equilibrista, dar um novo show de falta de treino nessa vida.
Cláudia Lopes em "Breve Loucura"

sábado, 14 de julho de 2012

Lentes cor de rosa


Há um momento em que o desenho se define;
em que a realidade se mostra nítida, 
sem borrões ou nuances.
Momento da constatação; 
da retirada das lentes cor de rosa 
que procuram a todo o custo, 
enxergar o que não se mostra.
Momento duro e estático, 
em que o quadro se torna claro e sem sombras.
Mas então a resistência em colocar a moldura, 
achar o melhor lugar na parede e congelar a realidade...
Procuramos em vão melhorar as cores 
e esfumaçar as quinas da pintura mesmo sabendo 
que em nossa aflição, a arruinaremos,
e o quadro não se salvará.


Tita 14/07/2012

Tudo a ver
"Exercitam o desprezível nos escombros da jangada 
que gira e gira em torno de si mesma, 
sempre no mesmo ponto inútil, 
em direção a coisa alguma, 
enquanto o tempo passa e tudo vira nada."
Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"

foto: Erica Becker -  http://www.flickr.com/photos/ericabecker/4643786216/sizes/m/in/photostream/

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Frenético

imagem: Fuka - http://www.fuka.com.br

Tinha sensações fortemente tremulas.
Chegavam desavisadas transformando-se, num repente, em  ciclones, tufões internos, ondas gigantescas. Tão fortes como o sentir dos pelos que, eriçados, encostavam-se uns aos outros, espalhando  a sensação pelo corpo todo.

Era então que  vinha a urgência, a premência, a necessidade de colocar fora de si o que ia pelo corpo.
A mente transportava  os sentimentos dando ordens às mãos que, em um balé frenético, espalhavam uma explosão de cores.
h
Tita 25/06/2012
j

Tudo a ver
"Não me deixem tranquilo
não me guardem sossego
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma
Mia Couto em"Raiz de Orvalho"

terça-feira, 29 de maio de 2012

Kairós


O negócio é fazer mudanças, dar um pulo, arriscar. 
Se a vida não vira sozinha, dá-se um jeito de virá-la. 
Totalmente.
Se possível, de ponta cabeça.
Inventa-se algo, procura-se pessoas, olho aberto para descobrir caminhos, aceita-se sugestões, cria-se, sonha-se, coloca-se em pratica qualquer coisa, qual-quer coi-sa. 
Ex-pe-ri-men-ta-se T-U-D-O.
O que queremos, esta sempre procurando por nós.
Em algum momento o novo que deve permanecer se encaixará como uma luva.
Uma decisão feliz (momento certo e duradouro), chegará como uma visita bem vinda.
Vale a pena.

Tita - 29/05/2012

Tudo a ver
"Todas essas coisas que passam, que deixamos de ter por um triz e que são perdidas para a eternidade...Todas essas palavras que deveríamos ter dito, esses gestos que deveríamos ter feito, esses kairós* fulgurantes que um dia surgiram, que não soubemos aproveitar e se afundaram para sempre no nada...O fracasso por um triz...
Muriel Barbery em "A elegância do ouriço"

*kairós: palavra grega que significa "o momento certo" ou "oportuno".

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Corpo

Meu corpo me protege.
Se não o tivesse, vagaria sem rumo?
Teria medo do escuro?
Ultrapassaria o razoável?
Quando meu pensamento teima em deixar-me, meu corpo o trás de volta e leva-me apenas a lugares seguros.
Ainda bem tenho meu corpo.
Meus pensamentos e sonhos são perigosos demais!

Tita - 25/05/2012
foto: André França http://www.andrefranca.com/vanishing/vanishing8.html