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sábado, 30 de maio de 2015

Menino

Eu sei que você é lindo 
Porque um dia vi o menino macio e doce que hoje se esconde.
Por ele, transbordei de carinho e amor e o abracei e pedi que me enlaçasse a cintura.
Quando veio o grande vento, meu menino fugiu e nunca mais se deixou ver.
Que saudade tenho dele e de quando, a brincar, me mordia as orelhas 
e então, 
com sua pele macia, 
se aninhava em mim.

Tita
30/05/2015

Tudo a ver
“De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa, que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…”
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Nós


Ainda vivo o carro rodando macio pela noite, 
musica forte,
casos contados nas mil tardes no sofá,
beijos macios e cheios de molejos.
Escuto as palavras e sinto os abraços,
o gosto dos chocolates nas noites vadias.
Então procuro suas costas macias.
Suas mãos me buscam, 
sua boca me amolece,
me entontece,
me tira do mundo.
Sussurros se encontram,
você sorri e se conta meu.
Conto-me sua.
E assim nos sabemos
e nos temos
no sempre melhor que, 
de nós dois,
será.

Tita
para E. 
4/11/2014


sábado, 27 de setembro de 2014

Girafa

Houve aquela que se colocou naquela situação em que não gostava de estar. Tudo falta de controle.
Na verdade não se sabe o porque dessa necessidade de tanto controle sobre si mesmos. Sempre tendo de controlar-se.
Então vem o branco. Tudo muito puro e imaculado, o que só decorre do controle.
Por fora bela viola, por dentro...
Seus pedaços já estavam desbotados. Desabotoados de afetos. Talvez fosse impar. Ou uma barca furada.
Lembrava-se da canoa em que não conseguia ficar de pé. Os salva vidas eram sempre necessários porque mesmo que os rios corressem mansos, havia pedras no fundo e era perigoso, muito perigoso mergulhar de cabeça e se machucar.
Aos pouco ia aprendendo onde estavam as pedras, aqui e ali. Algum dia soltar-se-iam do fundo, boiariam e passariam a bater-se umas nas outras? Que grande perigo sair nadando por entre elas e estar entre duas que poderiam bater-se.
Grande perigo.
Tirou o pé da canoa. Estava ficando tonta com os pensamentos que, não sabia de onde, vinham nela se instalar.
Era verão quando tudo acontecera? Fora de repente, mas não se lembrava de ter sentido calor. Talvez porque sempre houvesse água e podia refrescar-se quando quisesse.
Era tempo de garças brancas e de mergulhões aos montes, na beira dos rios. Delicados e bonitos.
Ao longe algumas emas poderiam ou não aproximar-se. Não havia girafas nem leões.
Só seu pescoço comprido que, alto, quase se destacava da cabeça.
O problema era este: o pescoço comprido. A cabeça ficava alta e cabeças altas veem demais.
Tita - 27/09/2014

Tudo a ver
Se abres os olhos,
abre-se a noite de portas de musgo,
abre-se o reino secreto da água
que emana do centro da noite.
E se os fechas,
um rio, uma corrente doce e silenciosa,
inunda-te por dentro, avança, torna-te obscuro:
a noite molha margens na tua alma.
Octavio Paz em "Agua Nocturna"

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Requiem Eterna Doneis Domini

Esvaiu-se aos poucos. Muito lentamente.
A cada dia perdia um pouco do brilho do olhar que, cada vez mais ultrapassava o que houvesse a ser visto. 
A mim parecia que não lhe importava mais ver.
Falava com dificuldade e então, não falou mais. Desanimou-se e tinha dores.
Ficamos ali, uns nervosos, outros muito tristes, outros fazendo o que tinha de ser feito.
Nas ultimas noites dormi ao lado dela, com um misto de medo e curiosidade, procurando descobrir o que sentia.
Quis lhe dar conforto mas mal consegui adivinhar do que precisava.
Na ultima noite entendi que me pediu água e, enquanto corri para buscar ficou impaciente e gritou "Água", Água"! Entendi, mesmo que tivesse sido dito daquela maneira quase ininteligível.
Retornou em mim toda a impotência que sempre senti perto dela. Quantas tentativas de que se sentisse segura comigo, todas em vão, como esta, da ultima vez.
Deixava, e até me pedia, que cuidasse de sua vida financeira. 
Porém, da emocional, nunca deixou que eu me aproximasse.
E foi-se indo assim, aos poucos, o corpo magro e cheio de dores que mal conseguíamos aplacar.
Demos-lhe despedidas lindas, a missa, o velório, a musica, tudo como gostaria.
Mas  nunca saberei se percebeu o meu esforço da vida inteira,
Nem se algum dia desejou que eu realmente fizesse parte.
Tita 01/09/2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cerne

De que manso abandono o coração se veste,
nas  nuvens a vagar, a alma efêmera,
colhendo raios esparsos de sol?
É em águas mansas que flutua o espirito
em busca do naco de si arrancado
na turbulência do mar que no rio desaguou.
Sentindo-lhe a falta no profundo do cerne
sofrendo-lhe a incompletude no espraiar-se infinito
recua diante da vacuidade do quadro
que a mente impensada um dia pintou.
Tita - 25/08/2014

Tudo a ver
Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior?A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. 
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Concha



Ria,

porque ele a fazia rir.
Do nada, falava o inesperado 
e ela ria, solta, leve.
Então riam os dois
e tudo se resumia a isto.
Quando abrigados numa concha de riso,
nada mais era necessário.
Tita - 21/08/2014

Tudo a ver
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, 
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis

sábado, 2 de agosto de 2014

Esconderijo


No dia em que ganhei uma frase, segurei-a com a ponta dos dedos.
Aonde colocá-la? Levá-la comigo? Deixá-la na beira do caminho? 
Colocá-la no bolso e esquece-la? Guardá-la no armário? Joga-la fora? Dar de presente? 
Ignorar?
Guardei-a,  escondida e a olhei por dias a fio pois que não me atrevia a recebe-la como minha.
Pensei em  jogá-la ao vento mas pressenti que talvez corresse para pegá-la de volta.
Se a amassasse, sei que trataria de recompô-la.
Então a fiz de travesseiro e nela rocei meus lábios.
Senti seu perfume e a protegi do vento.
Ao imaginar transformá-la em texto tive certeza de seu perigo e decidi trancá-la em lugar seguro.
Desde então abro e fecho seu esconderijo. Decido por e contra ela a cada momento.
Não chego à conclusão alguma e vivo a cada dia tendo a certeza de que conviver com duvidas requer treino e aperfeiçoamento constantes e que o caminhar para recantos perigosos e definitivamente dolorosos, chega a ser uma obra de arte.

Tita 2/8/2014

Tudo a ver
"A maioria dos dramas está nas ideias que formamos das coisas. Os acontecimentos que nos parecem dramáticos são apenas assuntos que a nossa alma converte em tragédia ou em comédia, à mercê do nosso carácter."
Balzac

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Letras

Como nada me podia dar, 
deu-me palavras.
Como nada lhe podia dar, 
combinei-as como pude 
e derramei-as sobre o papel em branco,
formando frases que dei a ele,
como se fossem flores.

Tita - 01/08/2014

Tudo a ver
Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou...Transformo-me todo em palavras.
"José Luis Peixoto em Uma Casa na Escuridão"

terça-feira, 29 de julho de 2014

A primeira morte


Lembro-me dos sons daquela morte.
As falas, os passos apressados pelo corredor, um subir e descer de escadas. Pessoas entrando e saindo, diálogos sussurrados, movimento cuidadoso de estranhos. Ao longe, palavras esparsas, um certo silencio permeando tudo.

Sentindo uma estranheza nunca antes experimentada e tudo vendo de uma perspectiva torta mas perspicaz, desviava apressadamente o olhar para não ver o que diziam os olhos que, ao encontrar os meus, mostravam uma expressão de comiseração, ou algo que eu não sabia o que era, mas que fazia com que me sentisse inesperadamente inadequada.

Perambulei sozinha, subi e desci as escadas, perdida.

Procurando refúgio não encontrado, escondi-me em minha própria mudez, guardando as perguntas até hoje sem respostas e escutando, alto e forte, o som do meu pequeno coração, irremediavelmente descompassado.

Tita 29/07/2014


Tudo a ver
Os que amei, onde estão? Idos, dispersos, 
arrastados no giro dos tufões, 
Levados, como em sonho, entre visões, 
Na fuga, no ruir dos universos... 

Antero de Quental em "Com os Mortos"

domingo, 27 de julho de 2014

Isso



Não fosse isso (apenas isso),
Teríamos um encontro certeiro,
Nos perderíamos num sentimento traiçoeiro
Ou seguiríamos,
Cada qual um inteiro,
Sem jamais dividir
O tão falado travesseiro?

Tita - 27/07/2014

Tudo a ver
Nesta vida tão breve
De que nos dão só um gole
Quanto - quão pouco - está
Sob o nosso controle
Emily Dickinson em "Não sou Ninguém"

sábado, 19 de julho de 2014

Verde



Sonhos sem fim, no vasto jardim de flores pálidas.
No verde a força incontida, incomensurável busca do desfecho perfeito,
os lábios soprando desejos nas árvores fletidas.
No espaço extenso, o coração se estilhaça como vidro quebrado,
ao pressentir no silencio o barulho final.

Tita 18/07/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Ponte



Estaiada?
É, es-ta-ia-da.
Tem certeza?
Tenho, absoluta.
Eu acho que está errado. Acho que é Espraiada.
Espraiada? Que ridículo! Não é. Você está errado.
E como é que você sabe:? Me irrita esta sua mania de sempre saber tudo.
Não é mania. É só procurar no dicionário, no google, na net. Seguinte, cara, é estaiada, porque foi construída com estais!
Escutei esta conversa numa manhã de domingo, tomando café em uma padaria do Brooklin. Num impulso, quase virei minha cadeira para a mesa atrás de mim e perguntei “o que é isso,“estais””? Mas não me atrevi, domingo de manhã, os dois irritados implicando um com o outro, voz nada amigável...
Por que não prestei atenção nas noticias de jornal que descreviam a ponte? Mania de ler tudo rápido! Fiquei quieta. 
Estais...
Voltei para casa e lá fui para o google, procurando de várias maneiras, digitei “estais”, encontrei: “Ponte estaiada, é uma ponte que está suspensa por cabos conectados a um mastro para sustentar as pistas”
Então, conclui, os cabos são os estais, neste caso.
Que coisa boa morar numa cidade como São Paulo e viver sempre aprendendo. Não fosse ter escutado aquela conversa nunca saberia o que são estais, eu, que de engenharia não entendo nada. E quantas outras coisas escuto, leio em manchetes de jornais e revistas quando passo pela banca!
Não, eu não poderia morar fora desta cidade, por mais caótica que seja. É dessa diversidade e “caoticidade” (adoro inventar palavras) que tiro o alimento para meu cérebro, para minhas conversas e para escrever cronicas como esta.
A verdade é que a palavra me acompanhou durante toda aquela semana: reparei incansavelmente nas construções, será que só pontes tinham estais? Conversei com amigos, perguntei se sabiam o que era (e não é que a maioria sabia?) compus versinhos e frases mentais (aonde estás?  Estarás nos estais? Se estás nos estais, isto te apraz (pronuncie "apraiz")? e, reconhecendo minha falta de atenção para termos técnicos, prometi a mim mesma reforçar a tensão quanto a leituras a este respeito enfim, obcecada pela palavra, passei a semana inteira ruminando o assunto.
Na sexta-feira esperava um amigo na porta do cinema e quando o vi ao longe, alto e magro,  imediatamente  pensei: parece um “estal” (existe “estal” ou só “estais”?) e, num repente, escutei minha própria voz: “Oi! Que bom te ver! Como estais?”

Tita - Escrito em 2010

Tudo a ver
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura... 
Alberto Caeiro em "Eu sou do tamanho do que vejo"

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Escuro



A menina na sala escura
acendeu a luz e desenhou tragédias.
Tomada do espirito da invenção e do drama,
escreveu terrores e suspirou dores que não sentiu.
Fez-se mulher a que, menina, se fazia velha.
A velha que, menina, acendeu a luz. 

Tita - 11/06/2014


Tudo a ver
Quando as luzes se apagam é menos perigoso  
Kurt Cobain

domingo, 4 de maio de 2014

Sangue



Era com movimentos circulares, suaves e constantes que espalhava a gota de óleo na sola dos pés.
Mais uma gota e movimentos circulares no plexo solar, como lhe haviam indicado. Em seguida naquele ponto da cabeça que é medido com o dedo anular, da ponta do nariz até a testa.
Movimentos circulares.
Circulando.
Como o sangue. 
Podia sentir o sangue em movimento pelas suas veias, podia escutar o barulho da passagem de uma veia para a outra, indo e voltando e indo, sempre em movimentos circulares.
Então tudo se tornava irremediavelmente circular.
Repetições de um mesmo movimento, chamando explosões de vida que estourassem em círculos dentro de si.
Circulares, circulando, ando, ando...ares, ares, sangue...angue...corpo, orpo...

Tita 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Debaixo da Mesa



Quando eu era pequena gostava de brincar debaixo da mesa. Algumas vezes escondia-me ali e, sem que percebessem, escutava a conversa dos adultos enquanto almoçavam ou sentavam-se para jogar cartas. Era gostoso ficar ali, sentindo-me abrigada e protegida. Ao mesmo tempo em que transgredia regras, por estar escondida e escutar conversas que não me diziam respeito, estava protegida por eles e nada de ruim poderia me acontecer. Algumas vezes cheguei a adormecer e acordar apenas quando escutava vozes aflitas me procurando pela casa. Então saia sem que me vissem e fingia estar dentro do quarto ou do banheiro, para que nunca descobrissem meu esconderijo.
Depois de muito tempo, já adulta, houve um dia em que entrei debaixo da mesa em uma situação completamente diferente daquela de minha infância.  Foi durante uma queimada.
Você já viu uma queimada?
Norte do Brasil, fazenda só mato, filha bebê. Derrubada de mato feita na foice, no facão, na moto-serra. Toda a vegetação para o chão. Verde caindo, barulho de árvore tombando. Depois silencio. Tudo aquilo que tinha sido decepado ainda com vida, resta tombado no chão para secar castigado por dias e dias (cerca de dois meses) de sol.
Até que chega o mês de agosto, mês da queimada. Acero para o fogo não passar para as fazendas vizinhas, pessoal saindo para todos os lados da fazenda, todos prontos cercando a área seca e, a um sinal, tacar fogo!
De longe, bebê no colo, vejo tudo parada no vão da porta da cozinha. 

Sobe densa e negra a fumaça do fogo. Barulho de estalos, fuligem começa a cair. Sentamo-nos no degrau, o bebê e eu, ambas quietas, meus olhos nostálgicos e os dela incrédulos. Eu digo: estamos queimando o mundo! Ela aponta a fuligem e diz “óia”.
Então acontece, num repente. Do meio do cinza surge uma fumaça que dá voltas, cada vez mais concêntricas e mais rápidas. Um rodamoinho, um funil que caminha para todos os lados e vem vindo, meu Deus, para fora da queimada, para cima de nós. Vem vindo, não é possível, como? Vai sair de lá? Vem! E sai do mato e entra para o quintal e corro eu com o bebê no colo para debaixo da mesa.
Barulho, vento zupt, zupt, zupt, barulho redondo, como explicar esse barulho? Passa pela casa, ventania, telhado se abrindo, sobre a mesa telhas e telhas estilhaçadas.
Depois silêncio.
Embaixo da mesa minha bebê e eu, incrédulas.
O rodamoinho passou. Destelhou metade da casa, nenhum estilhaço nos atingiu.
Saímos do esconderijo de gatinhas. Ela diz óia, óia, óia, e eu penso: é a natureza que se revoltou.
Tita 

Tudo a ver
Ter idades
é estar perto de tudo
e não tocar
senão esse turvo espelho: saudades
Mia Couto em "idades, cidades, divindades" - A Dor do tempo.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Como?

google images

Como serão aqueles beijos e o caminhar daquelas mãos quando em desejo?
Como aqueles olhos quando em busca de respostas para os chegares de seu próprio corpo?
Como será seu movimento quando em busca de união e pertencimento?
E como o olhar e a fala, aquela voz, quando em aconchego e êxtase?
Como?

Tita - 2014

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tabuleiro de xadrez



Mexo as peças mas não saio do lugar.
O jogo não se encerra enquanto meu cavalo anda para a frente
e para o lado e a torre volta para traz.
Nunca fui boa nesse jogo, que exige decisão.
Desta vez espero pelo movimento  do outro.
Espero que o cheque mate chegue e me abata,
abstendo-me de pensar.

Tita 28/11/2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vento

















Mar revoltado, ondas gigantes
Me agarro n'areia
Vento quer me levar.

Nem olho p'ra traz
Nem sei porque ir
Viro por todo lado
Não quero chegar.


M'embrulho em um xale
Enrolo a cabeça
Corro sem rumo
Não posso parar.

Tita - 11/09/2013

Tudo a ver
"No momento, meus olhos se encheram de muitas águas, todas que me faltaram em anteriores tristezas. E fugi, correndo dali para nunca mais"
Mia Couto em " Cada homem é uma raça" (O apocalipse privado do tio Geguê)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bobagem


Foi bobagem aquela risada fora de hora
Foi besteira aquela palavra crítica, não ter percebido o que acontecia
Foi tolice não ter dito o que pensava, não pedir desculpas
Foi ridículo não mostrar os sentimentos, não agarrar a oportunidade
E foi incoerência, ai que incoerência,  
abrir mão da felicidade.

Tita 18/04/2013

sábado, 20 de outubro de 2012

Metade


Metades são fatias
que não se equilibram,
não se encontram,
não se mesclam,
não se acham,
nem se bastam.

Tita 20/10/2012

Tudo a ver
"Que o medo da solidão se afaste, 
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância.
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei."
Oswaldo Montenegro em "Metade"