Derrubo a garrafa d'agua; coloco a cafeteira sobre a boca do fogão mas esqueço-me de acender o fogo; acendo o fogo mas esqueço-me de colcar a cafeteira. Então desisto, não quero café.
Lembro-me da sua camisa amarela que pensei ser cor de rosa e do abraço apertado da nossa despedida, minha mão deslizando pelas suas costas macias.
Então seguro sua cabeça junto a mim e seus cabelos fartos escorrem entre meus dedos.
Escorrem meus sentimentos e tomam posse de meu corpo
Escorrem suas caricias que se alojam em cada canto escondido do meu ser
Escorro eu, encostando-me a você e ao seu fisico forte.
Escorro pelo chão, pelas frestas, pelo escuro da noite, pela madrugada solitária,
espalhando-me em busca do seu abraço.
Entro nos bares, nos copos de água, nos becos pequenos, nas mesas de sinuca, nas ruas iluminadas pela lua cheia.
E quando o encontro, sorrio, mergulho em seus olhos, me entrego e me amoldo a você.
Tita - 27/08/2014
Tudo a ver
O amor tinha de ser apreciado sem se fugir para um otimismo ou pessimismo dognmáticos, sem se construir uma filosofia dos medos ou uma moralidade dos desapontamentos. O amor ensinava à mente analítica uma certa humildade, a lição de que, por mais duro que ela lutasse para atingir certezas imóveis (enumerando suas conclusões e colocando-as em séries arrumadinhas), a analise nunca poderia deixar de ser falha - e, portanto, nunca se afastaria do irônico.
Alain de Botton - Ensaios de amor




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