domingo, 27 de maio de 2012
Útero
O âmago tornando-se leve,
o sofrido tornando-se brisa,
o vazio enchendo-se de uma luz suave,
o sem sensação denotando paz.
É como um útero sendo preparado para uma nova vida.
Um eu útero.
E a nova vida virá.
Tita 27/05/2012
Foto: Cuervo Rey
http://www.flickr.com/photos/cuervorey/6349687198/lightbox/
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poesia
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Corpo
Meu corpo me protege.
Se não o tivesse, vagaria sem rumo?
Teria medo do escuro?
Ultrapassaria o razoável?
Quando meu pensamento teima em deixar-me, meu corpo o trás de volta e leva-me apenas a lugares seguros.
Ainda bem tenho meu corpo.
Meus pensamentos e sonhos são perigosos demais!
Tita - 25/05/2012
foto: André França http://www.andrefranca.com/vanishing/vanishing8.html
Se não o tivesse, vagaria sem rumo?
Teria medo do escuro?
Ultrapassaria o razoável?
Quando meu pensamento teima em deixar-me, meu corpo o trás de volta e leva-me apenas a lugares seguros.
Ainda bem tenho meu corpo.
Meus pensamentos e sonhos são perigosos demais!
Tita - 25/05/2012
foto: André França http://www.andrefranca.com/vanishing/vanishing8.html
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prosa poética
terça-feira, 22 de maio de 2012
Silencio
E então, o que foi feito de ti, de teu carinho intenso e tuas palavras doces?
Que foi feito de tua atenção constante, teu olhar brilhante e tuas mãos macias?
Aonde teu abraço aconchegante, tua aparência firme, teu coração partido?
Que fizeste da saudade que não te deixa e da tristeza que te acompanha?
Inda escuto tua voz macia.
Que foi feito de ti?
Tita - 22/05/2012
Tudo a ver
"We have to suffer through life, not in the sense of pain, but in terms of living through it"
Joseph Jaworsky em "Synchronicity"
Imagem: Pintura de "Fuka": http://www.fuka.com.br
Que foi feito de tua atenção constante, teu olhar brilhante e tuas mãos macias?
Aonde teu abraço aconchegante, tua aparência firme, teu coração partido?
Que fizeste da saudade que não te deixa e da tristeza que te acompanha?
Inda escuto tua voz macia.
Que foi feito de ti?
Tita - 22/05/2012
Tudo a ver
"We have to suffer through life, not in the sense of pain, but in terms of living through it"
Joseph Jaworsky em "Synchronicity"
Imagem: Pintura de "Fuka": http://www.fuka.com.br
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domingo, 20 de maio de 2012
Grude
O que fazem as sombras ao meu redor?
Não me deixam, amoldam-se a mim, querem fazer parte, palpitam, acompanham, cutucam.
São as sombras que nos agarram ou somos nós que as agarramos?
E por que motivo iríamos querer que se colassem a nós desta maneira?
Há algumas que querem permanecer para sempre.
Conheço uma assim. Acompanha-me, haja o que houver.
Vai-te embora, sombra grudenta!
Sei que é ela que, insistentemente, se agarra a mim.
Ou...vai ver, sou eu que não a deixo ir e a agarro a cada dia.
Isso mesmo. Pelo pé!
Tita 20/05/2012
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sábado, 19 de maio de 2012
Tem cor
Momento de reflexão,
acalma o corpo e o espirito.
Solidão é bem vinda,
em mim.
k
A solidão é lilás
Tita - 19/05/2012
Tudo a ver
"Talvez seja tão-só um dia, em que o ano parece conscientemente equilibrado no topo de seu ponto culminante; onde imóvel se mantém por um longo ou um breve período, como se em contemplação majestosa, antes de baixar lentamente, como um monarca que desce de seu trono, para circundar-se de trevas"
Virginia Woolf em "contos completos" - "O diário de mistress Joan Martyn"
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Uma noite simples
Em uma noite simples, assim como a de ontem, encontro um lugar em que a musica enche os ouvidos de um som melodioso e envolvente, de um ritmo cadenciado e molejento, de um som limpo, claro e bem dosado.
Quem dera encontrar sempre musica assim!
Por que por vezes, nos esquecemos de que a musica torna a vida muito melhor, nos empurra para frente e faz com que nos sintamos leves e de uma completude impar?
Quem não sente isto, jamais saberá o porque ou entenderá o que eu escrevo.
Tita 18/05/2012
Tudo a ver
"Tem a ver com o encadeamento incrivelmente denso dos sons, como se fossem ligados por uma força invisível e como se, embora se diferenciando, se fundissem uns nos outros, na fronteira da voz humana, quase no território do lamento animal - mas com uma beleza que os gritos dos animais jamais atingirão, uma beleza nascida da subversão da articulação fonética e da transgressão do cuidado com que a linguagem verbal geralmente distingue os sons.
Quebrar os passos, fundir os sons.
A Arte é vida, mas num outro ritmo."
Muriel Barbery em "A elegância do ouriço"
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quinta-feira, 17 de maio de 2012
Vida
Noticias de uma vida feita para durar chegam em tardes que passam rápido demais.
Tardes, ao contrario de vidas, não foram feitas para durar.
Tita - 17/05/2012
Tardes, ao contrario de vidas, não foram feitas para durar.
Tita - 17/05/2012
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Ponto
To com medo.
Só isso.
Tita - 16/05/2012
Tudo a ver
"Escuta bem, vou repetir no teu ouvido, muitas vezes: a unica coisa que posso fazer é escrever, a unica coisa que posso fazer é escrever"
Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"
foto: Naiara Fouraux
http://www.flickr.com/photos/naiarafouraux/4761032565/sizes/m/in/photostream/
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Como pode?
Metia-se em encrenca sem motivo. Talvez gostasse de ver a bagunça armada, adrenalina...
Bonito que era, provocava, atiçava, metia-se, fazia pouco de tudo.
Lembrava-se dele assim, desafiando o mundo, sorriso lindo, charme sem par.
Um dia, na livraria, uma voz em seu ouvido: lembra-se de mim? Não se lembrava...quem seria aquele senhor idoso, barrigudo, desleixado? Disse o nome. Era ele!
Você!!!! E então, o que fez, por onde andou? Perguntou quando, na verdade o que queria dizer era "Mas o que aconteceu com você? Como pôde acabar-se desta maneira?"
Ele sorriu, sem graça, como se lesse pensamentos: casei, trabalhei muito, filhos, responsabilidades, netos...
Pouca conversa, despediram-se.
Como pode o diferente tornar-se tão comum?
Tita 16/05/2012
Bonito que era, provocava, atiçava, metia-se, fazia pouco de tudo.
Lembrava-se dele assim, desafiando o mundo, sorriso lindo, charme sem par.
Um dia, na livraria, uma voz em seu ouvido: lembra-se de mim? Não se lembrava...quem seria aquele senhor idoso, barrigudo, desleixado? Disse o nome. Era ele!
Você!!!! E então, o que fez, por onde andou? Perguntou quando, na verdade o que queria dizer era "Mas o que aconteceu com você? Como pôde acabar-se desta maneira?"
Ele sorriu, sem graça, como se lesse pensamentos: casei, trabalhei muito, filhos, responsabilidades, netos...
Pouca conversa, despediram-se.
Como pode o diferente tornar-se tão comum?
Tita 16/05/2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Haikai VII
時間変化
Momento mudo.
Nem sempre palavras
dizem o tudo.
Tita 14/05/2012
foto: Rodrigo Larrabure
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Tudo a ver
_ Eu sinto tonturas, Doutor
_Tonturas ou vertigens?
_Qual é a diferença?
_ Na tontura, sentimo-nos a rodar e o mundo está parado. Na vertigem, quem roda é o mundo.
_No meu caso, tudo roda, Doutor. Eu e mundo bailamos juntos.
Mia Couto em "Venenos de Deus, remédios do Diabo"
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domingo, 13 de maio de 2012
Não eu
Sinto falta de mim.
Quando não me alegro nas pequenas coisas
e não procuro o novo,
sinto falta de mim.
Sinto tanta falta de mim
que me perco nos caminhos rotineiros
e me choco com minhas próprias reações.
Esta que estou não me pertence.
Nela não me encontro
e sinto falta de mim.
Sinto falta de mim,
sinto falta de mim!
Tita 13/05/2012
Tudo a ver
"Tais pensamentos que saem de mim ou se projetam das coisas cedo tornam-se intensos demais...Meus nervos tensos demais só dão vibrações gritantes e dolorosas."
Charles Baudelaire em "Pequenos poemas em prosa"
Quando não me alegro nas pequenas coisas
e não procuro o novo,
sinto falta de mim.
Sinto tanta falta de mim
que me perco nos caminhos rotineiros
e me choco com minhas próprias reações.
Esta que estou não me pertence.
Nela não me encontro
e sinto falta de mim.
Sinto falta de mim,
sinto falta de mim!
Tita 13/05/2012
Tudo a ver
"Tais pensamentos que saem de mim ou se projetam das coisas cedo tornam-se intensos demais...Meus nervos tensos demais só dão vibrações gritantes e dolorosas."
Charles Baudelaire em "Pequenos poemas em prosa"
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Passarinho na arvore
Foi um passarinho que eu vi, voando baixo, bem baixo, sozinho.
Para aonde vão os passarinhos sozinhos?
E onde passam a noite porque nunca os vemos por entre os
prédios?
Este pousou em um galho de arvore que eu podia ver. No fim
do dia, ainda estava ali. Anoiteceu, dormiu sozinho, no escuro.
No dia seguinte não mais estava.
Se eu tivesse falado com ele, não me entenderia.
Se eu estendesse a mão, fugiria.
Se eu o pegasse, se debateria.
Se eu o prendesse, entristeceria para sempre.
Restou-me apenas lembrar-me dele.
Um passarinho sozinho, em um galho de arvore, no escuro.
Pena não podia fazer-me companhia.
Tita 10/05/2012
foto: Flávio Cruvinel
Brandão
Tudo a ver
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho...
Roberto Carlos em "Eu quero apenas"
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Verso bobo e sem graça
Porque estou me sentindo boba e sem graça, escrevo um versinho
bobo e sem graça, com uma conclusão obvia e besta.
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Expressão, expressar, expressaria?
Riso, risada, gargalharia?
Fica, ficar, ficaria?
Beijões, beijar, atrever-se-ia?
Sussurros, sussurrar, saberia?
Amor, amar, amaria?
Paixão, apaixonar, entregar-se-ia?
Fluidez, fluir, fluiria?
Voo, voar...
não voaria.
Tita 09/05/2012
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Tudo a ver
Gostaríamos, como uma mãe, de acolher, proteger, acalentar tudo o que existe. E é por isto que o destino de um pássaro perdido, de uma gaivota coberta de óleo, de uma arvore que geme consumida pela queimada, são tragedias internas, que fazem nosso corpo estremecer e chorar.
Rubem Alves em O Retorno E Terno
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
Your Mind
De que é recheada a sua cabeça?
Quem dera se desse a mostrar.
Eu, então, mergulharia nesta viagem de conhece-la e, quem sabe, descobriria o que realmente vai nos seus sentimentos e pensamentos.
Enquanto isto o recheio fica guardado em seu pote.
Algum dia, quem sabe, alguem abrirá a tampa, saboreará seu gosto e aprenderá a receita que,
para mim,
você não deu.
Tita 07/05/2012
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ponto e parágrafo
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Recaída
Foi embora aos poucos (queria mesmo ir?).
Andou devagar, o corpo ereto, as calças maiores do que seu corpo (como sempre),a camiseta exageradamente comprida.
Enquanto caminhava puxou a camiseta muitas vezes para baixo (como era de costume), e acendeu um cigarro.
Havia decisões que eram dificeis de tomar e esta fora a mais dificil delas. Não olharia para trás. Quando chegasse ao cruzamento dobraria para a esquerda e seguiria, conforme havia planejado.
Não era sempre que planejava seus passos mas desta vez, estava decidido.
Lembrou-se do telefonema na noite anterior. Bebera demais e dissera tudo o que prometera a si mesmo que não diria. Andava bebendo muito ultimamente. Definiu que não se deixaria levar pela bebida novamente (conseguiria?).
Entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Finalmente, pensou, chegara ao seu refugio; a porta bem fechada não deixaria que o mundo la de fora invadisse sua tranquilidade.
Era ali que se sentia bem e era dali que não deveria ter saido. Tantos anos se haviam passado e ainda repetia o mesmo erro, vezes sem fim.
Sentiu-se desamparado e pequeno, com saudade do carinho que perdera, da epoca em que os dias corriam tranquilos (mesmo que repetitivos) e das conversas gostosas ao entardecer.
Mas era passado e ja tão remoto que as lembranças muitas vezes transformavam-se em cenas gastas, quebradiças e sem cor. Não conseguia mais lembrar-se do som das vozes daquela época. Mas era naquela época que gostaria de estar.
Sentou-se e fixou os olhos no horizonte, que podia ver através da janela.
Quem sabe algum dia conseguiria livrar-se das lembranças do passado...( será que queria?)
Era tão reconfortante perder-se nas recordações, olhar os objetos colocados como sempre haviam sido, reviver os momentos... Lembranças lhe faziam companhia e, a cada vez que procurava livrar-se delas, perdia-se em si mesmo.
Ficaria ali, cercado de tudo o que ja o fizera feliz, mesmo sabendo que o melhor seria animar-se e começar tudo de novo.
Nada voltará a ser como antes, falou alto, procurando acreditar no que dizia.
Colocou a musica que fizera parte dos sonhos que um dia havia realizado e abriu uma garrafa da bebida preferida.
Algumas horas depois, embalado pelo alcool e pela musica, chegou a acreditar que sim, era tudo como antes. Pegou o telefone e disse de novo, tudo o que prometera a si mesmo que não diria
04/05/2012
Andou devagar, o corpo ereto, as calças maiores do que seu corpo (como sempre),a camiseta exageradamente comprida.
Enquanto caminhava puxou a camiseta muitas vezes para baixo (como era de costume), e acendeu um cigarro.
Havia decisões que eram dificeis de tomar e esta fora a mais dificil delas. Não olharia para trás. Quando chegasse ao cruzamento dobraria para a esquerda e seguiria, conforme havia planejado.
Não era sempre que planejava seus passos mas desta vez, estava decidido.
Lembrou-se do telefonema na noite anterior. Bebera demais e dissera tudo o que prometera a si mesmo que não diria. Andava bebendo muito ultimamente. Definiu que não se deixaria levar pela bebida novamente (conseguiria?).
Entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Finalmente, pensou, chegara ao seu refugio; a porta bem fechada não deixaria que o mundo la de fora invadisse sua tranquilidade.
Era ali que se sentia bem e era dali que não deveria ter saido. Tantos anos se haviam passado e ainda repetia o mesmo erro, vezes sem fim.
Sentiu-se desamparado e pequeno, com saudade do carinho que perdera, da epoca em que os dias corriam tranquilos (mesmo que repetitivos) e das conversas gostosas ao entardecer.
Mas era passado e ja tão remoto que as lembranças muitas vezes transformavam-se em cenas gastas, quebradiças e sem cor. Não conseguia mais lembrar-se do som das vozes daquela época. Mas era naquela época que gostaria de estar.
Sentou-se e fixou os olhos no horizonte, que podia ver através da janela.
Quem sabe algum dia conseguiria livrar-se das lembranças do passado...( será que queria?)
Era tão reconfortante perder-se nas recordações, olhar os objetos colocados como sempre haviam sido, reviver os momentos... Lembranças lhe faziam companhia e, a cada vez que procurava livrar-se delas, perdia-se em si mesmo.
Ficaria ali, cercado de tudo o que ja o fizera feliz, mesmo sabendo que o melhor seria animar-se e começar tudo de novo.
Nada voltará a ser como antes, falou alto, procurando acreditar no que dizia.
Colocou a musica que fizera parte dos sonhos que um dia havia realizado e abriu uma garrafa da bebida preferida.
Algumas horas depois, embalado pelo alcool e pela musica, chegou a acreditar que sim, era tudo como antes. Pegou o telefone e disse de novo, tudo o que prometera a si mesmo que não diria
04/05/2012
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mini conto
A caminho do mato
Boiada passando
Porteira sempre aberta
Cavalo pastando
Lombada de terra
A contar que o caminho
Nunca se encerra
Entra em mim
Com a brisa da estrada
Cheiro de capim
Um galho fininho
Me aponta a estrada
Em que vou sozinho
Tita 04/05/2012
Porteira sempre aberta
Cavalo pastando
Lombada de terra
A contar que o caminho
Nunca se encerra
Entra em mim
Com a brisa da estrada
Cheiro de capim
Um galho fininho
Me aponta a estrada
Em que vou sozinho
Tita 04/05/2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Silencio
Minuto de silencio
O entendimento morreu.
Tita - 02/05/12
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ponto e parágrafo
domingo, 29 de abril de 2012
Encontros
Grandes encontros são aqueles em que palavras não são necessárias.
São raros, fluem sem travas e não necessitam tentativas e considerações.
Em grandes encontros os corpos se falam, se atiçam e se procuram,
unindo-se em meio a risos e leveza.
Grandes encontros são momentos em que a chance acha morada,
a completude toma conta e as almas se unem.
Então os pensamentos seguem para o mesmo lado,
os objetivos tornam-se iguais
e todos os sentimentos ficam expostos
explodindo em sons,
de todas as escalas,
em todas as cores.
em todas as cores.
Tita 29/04/2012
Tudo a ver
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
Tudo a ver
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
Florbela Espanca
Imagem: Yhuri Cruz - http://www.flickr.com/photos/yhuris/
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Emaranhado
e minha eterna fortaleza .
Meu homem pequeno e grande,
meu amigo velho e menino,
meu menino sempre pequeno,
meu ausente sempre querido.
Ele meu amor sentido, doído,
um amor sem nunca ter sido.
Minha dor sempre presente,
meu presente sempre ausente.
Ele, minha constante saudade,
minha inconsistência e leviandade.
Minha fuga, minha solidão sem cura,
minha eterna procura.
Ele, meu desamor,
minha infinita loucura.
Tita 24/04/2012
f
Tudo a ver
Tudo a ver
...
Como um Sol
que apenas existe
na sua própria ardência,
eu sou só amando.
A minha luz é um luar
à procura de outra lua
Mia Couto em - idades, cidades, divindades - Astros
foto: Carla 90: http://www.flickr.com/photos/karluxy/4141415585/
foto: Carla 90: http://www.flickr.com/photos/karluxy/4141415585/
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Equilíbrio
Talvez tenha ido embora com você a
minha chance.
Aquela, que esperei por todo o tempo
que vivi, antes de conhecê-lo.
Talvez eu não tenha percebido que
você a carregava assim, como uma coisa delicada ou, quem sabe
eu, desastrada, a tenha derrubado e, por te-la derrubado, não lhe dei a
devida atenção?
Você sabia bem melhor do que eu que
a chance estava ali. E mostrou-me e disse, várias vezes.
Foram tantos disparates e tantos
desencontros dentro daquele que foi o maior encontro...
Hoje sei que estava presente nas
palavras infindas dos olhos brilhantes, na vontade do contar que nos mantinha
acordados e alertas, na alegria que nos prendia e nos fazia crianças, no vazio
que acontecia quando nossos corpos separados.
Havia em tudo a grande chance que,
com você, se foi.
Aonde você a colocou? Jogou fora?
Escondeu?
Diga-me por favor.
Preciso encontrá-la para aprender a
carrega-la com a delicadeza que só você sabia.
Preciso equilibrá-la em minhas mãos
para quem sabe, um dia, encontrar a quem oferecê-la.
Imagem: "Equilíbrio" Clarissa von Uhlendorff - escultura
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prosa poética
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Escrever?
Saber o que escrever?
Escrever, saber o que?
O que escrever? Saber.
O saber. Que escrever?
Que saber! O escrever.
O que saber? Escrever.
Escrever o saber. Que?
Escrever que saber? O...
hic...hic....hic
Tita - 23/04/2012
Tudo a ver
"...ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nessa ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância, e que transforma um no outro... Suprir a ignorância é transferir a escrita para depois ou, antes, torná-la impossível."
Giles Deleuze, Diferença e Repetição, Graal, 1988
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domingo, 22 de abril de 2012
Madrugada
Como é imprevisivel a noite!
Pessoas pela rua, carros, buzinas, movimento...
Não esperava encontrar, neste avançado da hora,
o movimento do dia.
São três horas da manhã e dirijo alegre,
perdida na madrugada.
Feliz e, comigo mesma, chego bem em casa,
ainda inserida na conversa
recheada de perspicácia e alegria
(talvez, muita bebida?)
Sim, esta é a cidade que escolhi.
Porque pulsa,
como eu!
Tita, madrugada de 22 de abril de 2012
Foto: Leo Neves - http://www.flickr.com/photos/leo_neves/5845949854
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foto Flickr: Leo Neves
sábado, 21 de abril de 2012
Posse
Como se há muito esperasse por um momento seu de distração, desabou as palavras sobre ele, pegando-o desprevenido.
Momento inesperado.
Então entonteceu e a vista ficou turva. Não soube o que dizer e teve sono, muito sono.
É o que lhe acontecia nestas horas. Um sono pesado e incontrolável apossava-se dele. Nada pensava, dizia ou fazia. Queria sucumbir, entregar-se ao vazio, dormir, nada mais.
Porem, a musica tocava e por isto, só por isto, sabia que faria um esforço enorme para não fechar os olhos. Musicas tinham um estranho poder sobre ele e, por mais que desejasse entregar-se, deprimir-se ao ultimo grau, esquecer e abandonar-se, a musica não permitiria.
Rendeu-se ao som.
Abriu os olhos aos poucos, sabendo-se pequeno na sala leve e enorme. A musica grande, apossando-se dele, invadindo seu corpo e todos os seus espaços escondidos.
Ainda com os olhos turvos e o coração tão diminuto que parecia pararia a qualquer momento, deixou-se tomar.
Levantou-se devagar e começou a dançar, lentamente.
Enquanto houvesse musica...
Tita 21/04/2012
Foto: John Lamb - http://www.flickr.com/photos/johnlamb/250387205/
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mini conto
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Asas Abertas
ウィングのオープン
0
Novo momento
Sensações vagas
Sentimento ao vento
Tita - 19/04/2012
Imagem- potiche com flores: Fuka: www.fuka.com.br
Tudo a ver
Devemos supor que existem certas lições a serem tiradas do amor, ou senão continuaremos felizes em repetir nossos erros indefinidamente, como moscas que enlouquecem batendo as cabeças contra vidraças, incapazes de compreender que, embora o vidro pareça claro, não pode ser atravessado.
Alain de Botton em "Ensaios de amor"
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imagem: Fuka (pintura),
tudo a ver - Alain de Botton
terça-feira, 17 de abril de 2012
Haikai III
s
空でハート
s
Silencio no ar
Barulho de solidão
Coração vazio
Tita 17/04/2012
Tudo a ver
" Por que você me ama apenas um pouco?
Como você faz para amar um pouco?
Amar "um pouco", que quer dizer isso afinal?
Vivo sob o regime do "demais" ou do "não-suficiente";
ávido de coincidência, tudo o que não é total parece-me parcimonioso;
o que procuro, é ocupar um lugar a partir do qual as quantidades
não possam mais ser vistas e do qual o balanço esteja banido"
Roland Barthes em "Fragmentos de um discurso amoroso"
空でハート
s
Silencio no ar
Barulho de solidão
Coração vazio
Tita 17/04/2012
Tudo a ver
" Por que você me ama apenas um pouco?
Como você faz para amar um pouco?
Amar "um pouco", que quer dizer isso afinal?
Vivo sob o regime do "demais" ou do "não-suficiente";
ávido de coincidência, tudo o que não é total parece-me parcimonioso;
o que procuro, é ocupar um lugar a partir do qual as quantidades
não possam mais ser vistas e do qual o balanço esteja banido"
Roland Barthes em "Fragmentos de um discurso amoroso"
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domingo, 15 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Eucalipto
Naquelas férias os dias e noites cheiravam a eucalipto.
Havia musica dedilhada ao piano com força, canto,
passeios de bicicleta, amigos cheios de vida, risos, danças e arroubos de amores de verão.
passeios de bicicleta, amigos cheios de vida, risos, danças e arroubos de amores de verão.
Naquelas férias os dias e noites cheiravam a novidade.
Calor e água fria da piscina lavando a noite pouco dormida, acordando o corpo para o novo dia com sempre surpresas.
Naquelas férias, as musicas causavam arrepios e os beijos tomavam todos os sentidos.
As vozes gravavam-se nas mentes e os rostos permaneciam vivos a cada pensamento.
Então eu respirava fundo porque, diziam, eucalipto fazia bem para os pulmões.
Puxava o ar com força e fechava os olhos. Enchia o peito e tinha a certeza de que aquela saúde que entrava, jamais me abandonaria.
Naquelas férias os dias e as noites cheiravam a inesquecíveis
e assim se tornaram.
e assim se tornaram.
Só de lembrar, o corpo se arrepia.
Então, canto aquela musica e teço devaneios.
Só porque coisa boa é muito bom de lembrar.
Tita 10/04/2012
Tita 10/04/2012
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domingo, 8 de abril de 2012
Vida?
Um dia nos renderemos.
Recolheremos nossas asas,
limitaremos nossos pensamentos.
Deixaremos de nos lembrar,
de noites vadias,
de peles macias.
E nos abandonaremos,
a contemplar a vida.
Vida?
Tita 07 04 2012
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Recolheremos nossas asas,
limitaremos nossos pensamentos.
Deixaremos de nos lembrar,
de noites vadias,
de peles macias.
E nos abandonaremos,
a contemplar a vida.
Vida?
Tita 07 04 2012
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
O amor morre
死
Como morre o amor?
Assim, devagarzinho,
antes de começar.
.
死亡
Morre
com idéias não trocadas,
e falas impensadas.
.
の死
Morre
em incentivos inexistentes,
comentários insipientes.
.
死の
Morre
simplesmente porque,
nem devia nascer.
Tita 06/04/2012
Tudo a ver
Hoje, tem algo errado?
Não, por que? Tem alguma razão para isso?
Acho que não
Então por que está perguntando?
Não sei. Porque você está parecendo um pouco infeliz
Alain de Botton em "Ensaios de Amor"
Como morre o amor?
Assim, devagarzinho,
antes de começar.
.
死亡
Morre
com idéias não trocadas,
e falas impensadas.
.
の死
Morre
em incentivos inexistentes,
comentários insipientes.
.
死の
Morre
simplesmente porque,
nem devia nascer.
Tita 06/04/2012
Tudo a ver
Hoje, tem algo errado?
Não, por que? Tem alguma razão para isso?
Acho que não
Então por que está perguntando?
Não sei. Porque você está parecendo um pouco infeliz
Alain de Botton em "Ensaios de Amor"
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Hai....kai....
Que dia lindo
Pena que me lembra
Amor já findo
.................................................................
Se eu já me vou
É porque nada resta
Do que se passou
..................................................................
Mas por que me quer
Se de mim só recebe
O que me aprouver?
................................................................
Na parede lembrando
Amor já morto
...................................................................
Tita 06/04/2012
Tudo a ver
"Os poetas japoneses sabiam como expressar suas visões da realidade numa observação de três linhas. Não se limitavam a simplesmente observa-la, mas, com uma calma sublime, procuravam o seu significado eterno. Quanto mais precisa a observação, tanto mais ela tende a ser única, e, portanto, mais próxima de ser uma verdadeira imagem. Como disse Dostoievski, com extraordinária precisão: A vida é mais fantástica do que qualquer fantasia.
Andrei Tarkovski, no livro "Esculpir o Tempo"
....................................................................................
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Recheios
Contou-me dos dias em que descobriam uma nova vida no sertão, daquelas tardes, cavalos apeados na beira do córrego, os dois a desbravar o novo, no meio do mato, no córrego raso, deleitando-se com o inexperimentado.
Soltos, leves, em um saciar das curiosidades, experimentar de gostos, de sabores, de gestos, de valores.
Foi com ele, disse ela, que conhecera a possibilidade de usufruir do desconhecido. Foi com ele que aprendera a percorrer caminhos, em todos os sentidos do descobrir da vida.
Eram da mesma estirpe e, sem temor algum, experimentavam e viviam tudo o que criavam em suas mentes.
Enquanto a escutava pensei na importância das cabeças irmãs, das logicas que seguem meandros parecidos; das mentes que conseguem movimentar caminhos e, pegando no ar as mudanças de direção dos pensamentos, seguem em segundos as propostas de rumos inéditos; entendem-se num rápido olhar.Um comungar de idéias que consegue preencher os vazios e rechear futuros com a certeza de que não serão estáticos e terão sempre novos e variados recheios.
Então pensei nos recheios, cujos vários ingredientes formam gostos diferentes. E pensei que a receita básica pode ser a mesma mas, os temperos, que sejam únicos, saborosos, instigadores e surpreendentes.
Só assim, saciarão totalmente a fome.
Tita - 02/04/2012
Tudo a ver
"Me gusta la gente que vibra, que no hay que empujarla, que no hay que decirle que haga las cosas, sino que sabe lo que hay que hacer y que lo hace"
Mario Benedetti
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Sem cor
Estranho, aquele olhar.
Percebi quando, aos dez anos, sentou-se pela primeira vez no meu colo para pentear meus cabelos.
Hoje nos vemos pouco porém, aparece por aqui sempre que algo de ruim lhe acontece e então, ainda hoje, senta-se no meu colo e penteia meus cabelos.
Caso esteja bem telefona-me vez ou outra, alegre, contando coisas, rindo, dizendo-se feliz.
Caso esteja bem telefona-me vez ou outra, alegre, contando coisas, rindo, dizendo-se feliz.
Mas eu sei, ah se sei! Há algo de estranho naquela voz, tão estranha quanto o olhar que não me lembro que cor tem.
Eu me lembro bem de que quando fala, nem olha nos olhos. Aliás, finge que olha, mas eu sei!
Eu a conheço e sei coisas dela que nem mesmo ela imagina que alguém saiba. Eu sei porque vi, muitas vezes. Mas não comento, que não sou de comentar, e além do mais (coitada) teve motivos, uma vida sofrida isso sim foi o que teve.
Eu a conheço e sei coisas dela que nem mesmo ela imagina que alguém saiba. Eu sei porque vi, muitas vezes. Mas não comento, que não sou de comentar, e além do mais (coitada) teve motivos, uma vida sofrida isso sim foi o que teve.
Por isto estranhei quando telefonou ontem calma, tranquila, não parecia a mesma. Então contou-me que foi contratada por uma empresa grande, salário bom, perguntei mas vai fazer o que? Vender livros, falou! Você não sabe da paixão que eu tenho por livros? Sim, eu sei... Desde bem pequena lia muito, até compulsivamente, qualquer livro, qualquer anuncio, qualquer revista, trancada nos quartos, no banheiro... Dava-se bem com os livros mas vende-los? Saberia? Diga, como foi que conseguiu o emprego? Entrevista? Aonde? Uma mulher? Que perguntas ela fez?
Disse-me que contou tudo: sua vida, a infância difícil, o casamento, os filhos entristecidos, a terapia, a mãe criança, o pai alcoólatra, o choro que chega por vezes sem motivo (mas você contou isso? Numa entrevista de trabalho?). Contou. Contou muito de si.
Mas eu sei que aquilo, ela não contou. Não contou porque pensa que ninguém sabe. E eu sei que não olhou nos olhos de quem a entrevistou. Sem duvida fingiu olhar e enganou bem porque, tivesse olhado firmemente, quem quer que seja teria visto aquele algo tão estranho naqueles olhos que eu não me lembro de que cor são. Aonde será que aprendeu a olhar esse olhar que quando não quer ser visto não se mostra?
Mas eu sei que aquilo, ela não contou. Não contou porque pensa que ninguém sabe. E eu sei que não olhou nos olhos de quem a entrevistou. Sem duvida fingiu olhar e enganou bem porque, tivesse olhado firmemente, quem quer que seja teria visto aquele algo tão estranho naqueles olhos que eu não me lembro de que cor são. Aonde será que aprendeu a olhar esse olhar que quando não quer ser visto não se mostra?
De qualquer maneira, é bom que tenha conseguido o emprego! Espero que dure. Os últimos duraram tão pouco... Com o tempo (pouco) as pessoas percebem que há algo que incomoda, e muito. Ficam desconfortáveis porque não conseguem descobrir o que é...
Eu sei mas não digo.
Eu sei mas não digo.
Então acontece como sempre, vem me ver chorando, senta-se no meu colo e nada diz. Vai ver sabe que eu sei...Penteia meus cabelos em silencio enquanto lágrimas escorrem, tantas que chegam a molhar minha roupa. Não digo nada. Acaricio seus cabelos e, devo confessar, choro com ela.
E rezo, isso mesmo, rezo para que em alguma próxima entrevista seja lá quem a entreviste não perceba o que eu sei e dê a ela a chance de ser contratada novamente. Quem sabe algum dia consegue realmente superar tudo aquilo?
Mas de que cor mesmo são os olhos e por que será que eu não me lembro que cor têm?
Mas de que cor mesmo são os olhos e por que será que eu não me lembro que cor têm?
Tita- revisitado em 16/04/2012
Tudo a ver
Quero verTudo a ver
esse lugar
onde se não vê
para que
sem disfarce
a minha luz se revele
e nesse mundo
descubra a que mundo pertenço
Mia Couto em "Raiz de Orvalho e outros poemas"
Foto Flickr : Eye - Cgoulao
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