quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Molde



Derrubo a garrafa d'agua; coloco a cafeteira sobre a boca do fogão mas esqueço-me de acender o fogo; acendo o fogo mas esqueço-me de colcar a cafeteira. Então desisto, não quero café.
Lembro-me da sua camisa amarela que pensei ser cor de rosa e do abraço apertado da nossa despedida, minha mão deslizando pelas suas costas macias.
Então seguro sua cabeça junto a mim e seus cabelos fartos escorrem entre meus dedos.
Escorrem meus sentimentos e tomam posse de meu corpo
Escorrem suas caricias que se alojam em cada canto escondido do meu ser
Escorro eu, encostando-me a você e ao seu fisico forte.
Escorro pelo chão, pelas frestas, pelo escuro da noite, pela madrugada solitária,
espalhando-me em busca do seu abraço.
Entro nos bares, nos copos de água, nos becos pequenos, nas mesas de sinuca, nas ruas iluminadas pela lua cheia.
E quando o encontro, sorrio, mergulho em seus olhos, me entrego e me amoldo a você.

Tita - 27/08/2014

Tudo a ver
O amor tinha de ser apreciado sem se fugir para um otimismo ou pessimismo dognmáticos, sem se construir uma filosofia dos medos ou uma moralidade dos desapontamentos. O amor ensinava à mente analítica uma certa humildade, a lição de que, por mais duro que ela lutasse para atingir certezas imóveis (enumerando suas conclusões e colocando-as em séries arrumadinhas), a analise nunca poderia deixar de ser falha - e, portanto, nunca se afastaria do irônico.
Alain de Botton - Ensaios de amor

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cerne

De que manso abandono o coração se veste,
nas  nuvens a vagar, a alma efêmera,
colhendo raios esparsos de sol?
É em águas mansas que flutua o espirito
em busca do naco de si arrancado
na turbulência do mar que no rio desaguou.
Sentindo-lhe a falta no profundo do cerne
sofrendo-lhe a incompletude no espraiar-se infinito
recua diante da vacuidade do quadro
que a mente impensada um dia pintou.
Tita - 25/08/2014

Tudo a ver
Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior?A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. 
Carlos Drummond de Andrade

Os gostares


Tinha uma vida de sempre muito a fazer, a conversar, sempre muito que restava para o outro dia e não ficava feito. 
Gostava assim.
Gostava da vida que não se repetia e que sempre a atiçava para algo mais.
Desbravava novas amizades, queria novos assuntos, inventava caminhos desconhecidos.
Ia em frente. Procurava melhorar o ruim mas, constatando o impossível, deixava-o para trás, buscando o feliz para perto de si.
Porém, tinha uma mania. Ah se tinha!
Achava tão difícil achar alguém para si mas quando calhava, lá vinha. 
Mania de gostar.
Então ficava naquele querendo, no gostando, o gostar atiçando, lembrando, cultivando.
Mania danada, concluia.
Mas não desistia porque sabia 
Que sem essa mania,
Passava pela vida e nem vivia.

Tita - 25/08/2014

Tudo a ver
O conceito "real, verdadeiramente existente", nós o tiramos primeiramente desse "nos dizer respeito"; quanto mais somos tocados em nossos interesses, mais acreditamos na "realidade" de uma coisa ou um ser. "Isto existe" significa: eu me sinto existindo no contato com isso.
Nietzsche em Outr'em-mim de Alfredo Naffah Neto.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Concha



Ria,

porque ele a fazia rir.
Do nada, falava o inesperado 
e ela ria, solta, leve.
Então riam os dois
e tudo se resumia a isto.
Quando abrigados numa concha de riso,
nada mais era necessário.
Tita - 21/08/2014

Tudo a ver
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, 
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis

domingo, 17 de agosto de 2014

Barulho

Mario Howat
O barulho ascendente do que cresce aos poucos
do vento que bole nas folhas
de passos suaves na grama 
de asas que batem levemente
do trotar dos cavalos ao longe
de vozes que se misturam
de outras vidas que dentro de mim ressurgem.
O burburinho da poeira que o vento levanta
o estalo do chicote que gira no ar
a soada de um sino da infância
a cadencia das notas a criar harmonias
o ressoar de palavras que voam.
O sonoro riso a repetir-se em meus pensamentos
a vibração das mãos que tateiam
e mansas e suaves produzem musica
e embriagam dizendo à alma
que se espalhe 
desfaleça e se abandone 
num feixe
fugidio e luminoso.

Tita - 17/8/2014

Tudo a ver
Teve um barulhinho, quer dizer, um rumorzinho do ar que fez "chhhh" bem, bem, devagarinho: era um botão de rosa com um pedacinho de haste quebrada que caía na bancada. No momento em que a tocou, fez "pof", um "pof" do tipo ultra-som, só para ouvidos de morcegos ou para ouvidos humanos quando tudo está muito, muito, muito silencioso.
Muriel Barbery em "A elegância do ouriço"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PREGHIERA

As pessoas que nos cercam, a quem nos dedicamos com carinho tantas vezes, como saber quem realmente são?
De quantas facetas é feito um ser humano e em que dia nos depararemos com aquela horrível, que nunca pensamos existir?
A maldade intrínseca em cada um, de quanto precisa para mostrar-se; o quanto a face devastadora disfarça-se em grande salvadora das almas que julga fracas?
Como podem as pessoas fazerem pouco de seus semelhantes, ditando regras, pensando-se melhor?
Que Deus me dê a sabedoria para não julgar meus semelhantes. Pois que sou falha e cheia de defeitos igual a  eles.
E hei de encontrar o melhor de cada um.
Tita - 14/08/2014
Tudo a ver
Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes.
Marquês de Sade

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

MERGULHO

No tempo que para com o apressar do coração,
na noite que brilha através das frestas da janela,
No sol que entra pelos vidros quadriculados,
Na musica que toca na madrugada de ruas vazias,
Eu mergulho.

Pego as palavras que estremecem o ar,
Os casos contados e os medos acalmados
E no abrir das portas, na troca de ideias
E nas risadas sem fim,
Eu mergulho.

No sussurrar dos lábios que não se afastam,
No aconchego dos abraços que não se soltam,
Nas bandejas com petiscos não tocados,
Nos livros ainda não lidos,
Eu mergulho.

E solto meu corpo
Deixando que me leve a água deste rio
que desaba no mar 
E que no silencio das profundezas
deste carinho enorme,
me explode as entranhas.

Tita - 11/08/2014

Tudo a ver
Tum tum tum tum tum tum tum
Look, if you had one shot, one opportunity,
To seize everything you ever wanted
One moment
Would you capture it or just let it slip?
Eminem

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Voando



Salvador Dali
Do alto do morro
O sol vai surgindo
Eu ando na praia
Maré tá subindo

Pé fofo na areia
sandalia na mão
vou pulando ondas
pensando em canção

caranguejo sem perna
andorinha sem pé
criança sozinha
só faz o que qué

lá vai um surfando
a onda ta forte
tem outro remando
peixe, se der sorte

um anda na água
só quer nadar
eu furo a onda
quero'é flutuar

macaco no galho
cachorro no chão
só ando voando
Cabeça na mão

Tita - 07/08/2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Abraços



Vadin Stein

Deixe-me tremer!
Tenho medo que você se desintegre.
Não me desintegro, apenas tremo.
Então trema, perto de mim.
Assim.
Não sinto você tremer
Borbulho.
Borbulha?
É que borbulho, dentro de mim, quando você me segura assim.
Não sei como é borbulhar. 
É um sentir, imenso...
Eu também quero borbulhar
Deixe que o abraço se aposse de tudo.
Assim?
Assim.
Quero este abraço, sempre.
Eu lhe darei abraços. Aos maços!

Tita - 04/08/2014

Tudo a ver
"Valho-me das minhas velas para exorcizar a loucura. Por um ano inteiro eu as deixei esquecidas no escuro de um armário. Um sopro meu as fizera adormecer. E assim ficaram, como a Bela Adormecida, à espera da chama que as faria acordar. Parecem mortas. Mas sei que o toque do fogo as fara viver de novo. Aguardam a ressurreição. 
Como são humanas! Parecem-se conosco. Também os nossos corpos endurecidos podem arder de novo. Para isto basta que sejam tocados pela magia do fogo!"
Rubem Alves em "O Retorno E Terno" - As Velas

sábado, 2 de agosto de 2014

Esconderijo


No dia em que ganhei uma frase, segurei-a com a ponta dos dedos.
Aonde colocá-la? Levá-la comigo? Deixá-la na beira do caminho? 
Colocá-la no bolso e esquece-la? Guardá-la no armário? Joga-la fora? Dar de presente? 
Ignorar?
Guardei-a,  escondida e a olhei por dias a fio pois que não me atrevia a recebe-la como minha.
Pensei em  jogá-la ao vento mas pressenti que talvez corresse para pegá-la de volta.
Se a amassasse, sei que trataria de recompô-la.
Então a fiz de travesseiro e nela rocei meus lábios.
Senti seu perfume e a protegi do vento.
Ao imaginar transformá-la em texto tive certeza de seu perigo e decidi trancá-la em lugar seguro.
Desde então abro e fecho seu esconderijo. Decido por e contra ela a cada momento.
Não chego à conclusão alguma e vivo a cada dia tendo a certeza de que conviver com duvidas requer treino e aperfeiçoamento constantes e que o caminhar para recantos perigosos e definitivamente dolorosos, chega a ser uma obra de arte.

Tita 2/8/2014

Tudo a ver
"A maioria dos dramas está nas ideias que formamos das coisas. Os acontecimentos que nos parecem dramáticos são apenas assuntos que a nossa alma converte em tragédia ou em comédia, à mercê do nosso carácter."
Balzac

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Letras

Como nada me podia dar, 
deu-me palavras.
Como nada lhe podia dar, 
combinei-as como pude 
e derramei-as sobre o papel em branco,
formando frases que dei a ele,
como se fossem flores.

Tita - 01/08/2014

Tudo a ver
Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou...Transformo-me todo em palavras.
"José Luis Peixoto em Uma Casa na Escuridão"

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Equilíbrio

Equilibrio - Diego Sevilla Ruiz
Parecia tão leve andando com aqueles saltos enormes, altos, exagerados...
Eu atrás, não conseguia tirar os olhos daqueles passos.
No fundo, esperava a hora em que iria bambear, tropeçar, cair. Porém, nunca titubeava nem perdia o equilíbrio, seguia firme sobre o que pareciam ramos de alguma árvore esguia e roliça.

Talvez eu tivesse vontade de conseguir equilibrar-me da mesma forma...
No fundo o que eu esperava era que acontecesse com ela o que, imagino, aconteceria comigo porque, caso acontecesse, eu não seria a unica e poderia então sentir-me pertencente ao mundo dos que nunca se desequilibram.

Continuou andando por quadras e quadras e eu atrás, até que meu pensamento correu e a perdi de vista. Lembrei-me das vezes em que, mesmo com os pés no chão, não consegui me equilibrar. Porem ha momentos em que fico tonta, perco o rumo e, sem ninguém que me segure, calço os sapatos sejam altos ou baixos, respiro fundo, estico o corpo e sigo, eu também, me equilibrando firme, sem bambear nem tropeçar, pelo continuar da vida. 

Tita 30/07/2014

terça-feira, 29 de julho de 2014

A primeira morte


Lembro-me dos sons daquela morte.
As falas, os passos apressados pelo corredor, um subir e descer de escadas. Pessoas entrando e saindo, diálogos sussurrados, movimento cuidadoso de estranhos. Ao longe, palavras esparsas, um certo silencio permeando tudo.

Sentindo uma estranheza nunca antes experimentada e tudo vendo de uma perspectiva torta mas perspicaz, desviava apressadamente o olhar para não ver o que diziam os olhos que, ao encontrar os meus, mostravam uma expressão de comiseração, ou algo que eu não sabia o que era, mas que fazia com que me sentisse inesperadamente inadequada.

Perambulei sozinha, subi e desci as escadas, perdida.

Procurando refúgio não encontrado, escondi-me em minha própria mudez, guardando as perguntas até hoje sem respostas e escutando, alto e forte, o som do meu pequeno coração, irremediavelmente descompassado.

Tita 29/07/2014


Tudo a ver
Os que amei, onde estão? Idos, dispersos, 
arrastados no giro dos tufões, 
Levados, como em sonho, entre visões, 
Na fuga, no ruir dos universos... 

Antero de Quental em "Com os Mortos"

domingo, 27 de julho de 2014

Beijo

Me da um beijo?
Roubado?
Não. Quero beijo dado.
Dado eu não beijo
Por que?
Porque dado é pensado e beijo pensado já é beijo estragado.
Então roubo um
Não, não rouba!
Por que?
Porque quando avisa que é roubado já vira beijo pensado
Ahhhh. Então faço o que?
E eu é que sei?
Num?
Num.
Então deixa o beijo no ar
Num cai?
Se cair você pega?
Tenho de pensar se pego... Mas se penso vira beijo pensado!
On my God! 

Tita 27/7/2014

Isso



Não fosse isso (apenas isso),
Teríamos um encontro certeiro,
Nos perderíamos num sentimento traiçoeiro
Ou seguiríamos,
Cada qual um inteiro,
Sem jamais dividir
O tão falado travesseiro?

Tita - 27/07/2014

Tudo a ver
Nesta vida tão breve
De que nos dão só um gole
Quanto - quão pouco - está
Sob o nosso controle
Emily Dickinson em "Não sou Ninguém"

sábado, 19 de julho de 2014

Verde



Sonhos sem fim, no vasto jardim de flores pálidas.
No verde a força incontida, incomensurável busca do desfecho perfeito,
os lábios soprando desejos nas árvores fletidas.
No espaço extenso, o coração se estilhaça como vidro quebrado,
ao pressentir no silencio o barulho final.

Tita 18/07/2014

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Distante

Onde teus olhos que com musica choravam?
Onde as palavras que, vindas de ti, em nós transbordavam? 
E teu riso de menino, tua falta de jeito, teus olhos azuis e tuas costas curvadas?
Que mar te acolherá, de mim tão distante?

Tita - 16/07/2014


Tudo a ver
Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo"
Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"  - Extremos da paixão.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Ponte



Estaiada?
É, es-ta-ia-da.
Tem certeza?
Tenho, absoluta.
Eu acho que está errado. Acho que é Espraiada.
Espraiada? Que ridículo! Não é. Você está errado.
E como é que você sabe:? Me irrita esta sua mania de sempre saber tudo.
Não é mania. É só procurar no dicionário, no google, na net. Seguinte, cara, é estaiada, porque foi construída com estais!
Escutei esta conversa numa manhã de domingo, tomando café em uma padaria do Brooklin. Num impulso, quase virei minha cadeira para a mesa atrás de mim e perguntei “o que é isso,“estais””? Mas não me atrevi, domingo de manhã, os dois irritados implicando um com o outro, voz nada amigável...
Por que não prestei atenção nas noticias de jornal que descreviam a ponte? Mania de ler tudo rápido! Fiquei quieta. 
Estais...
Voltei para casa e lá fui para o google, procurando de várias maneiras, digitei “estais”, encontrei: “Ponte estaiada, é uma ponte que está suspensa por cabos conectados a um mastro para sustentar as pistas”
Então, conclui, os cabos são os estais, neste caso.
Que coisa boa morar numa cidade como São Paulo e viver sempre aprendendo. Não fosse ter escutado aquela conversa nunca saberia o que são estais, eu, que de engenharia não entendo nada. E quantas outras coisas escuto, leio em manchetes de jornais e revistas quando passo pela banca!
Não, eu não poderia morar fora desta cidade, por mais caótica que seja. É dessa diversidade e “caoticidade” (adoro inventar palavras) que tiro o alimento para meu cérebro, para minhas conversas e para escrever cronicas como esta.
A verdade é que a palavra me acompanhou durante toda aquela semana: reparei incansavelmente nas construções, será que só pontes tinham estais? Conversei com amigos, perguntei se sabiam o que era (e não é que a maioria sabia?) compus versinhos e frases mentais (aonde estás?  Estarás nos estais? Se estás nos estais, isto te apraz (pronuncie "apraiz")? e, reconhecendo minha falta de atenção para termos técnicos, prometi a mim mesma reforçar a tensão quanto a leituras a este respeito enfim, obcecada pela palavra, passei a semana inteira ruminando o assunto.
Na sexta-feira esperava um amigo na porta do cinema e quando o vi ao longe, alto e magro,  imediatamente  pensei: parece um “estal” (existe “estal” ou só “estais”?) e, num repente, escutei minha própria voz: “Oi! Que bom te ver! Como estais?”

Tita - Escrito em 2010

Tudo a ver
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura... 
Alberto Caeiro em "Eu sou do tamanho do que vejo"

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Escuro



A menina na sala escura
acendeu a luz e desenhou tragédias.
Tomada do espirito da invenção e do drama,
escreveu terrores e suspirou dores que não sentiu.
Fez-se mulher a que, menina, se fazia velha.
A velha que, menina, acendeu a luz. 

Tita - 11/06/2014


Tudo a ver
Quando as luzes se apagam é menos perigoso  
Kurt Cobain

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ha!


Em você me decifro.
Nesse jogar de palavras esparsas,
nesse olhar impensado,
nesse andar de pernas trançadas
e, mais ainda,
nessa lágrima perdida,
nesse gesto sem nexo,
nesse hahaha perdido no tempo.


Tita - 09/06/2014

Tudo a ver

"Irei até onde o ar termina, irei até onde a grande ventania se solta uivando, irei até onde o vácuo faz uma curva, irei aonde meu fôlego me levar."
Clarice Lispector em "A Hora de Estrela"